Projeto Territórios Resilientes e Conectados realiza evento de certificaçãoe pré-estreia da websérie no quilombo Bom Jesus
Nada sobre nós, sem nós. Essa foi a máxima que conduziu todo o projeto Territórios Resilientes e Conectados e, claro, também marcou o evento realizado nos dias 22 e 23 de fevereiro, no Quilombo Bom Jesus, localizado no território de Sesmaria do Jardim, no Maranhão. A atividade marcou a certificação de 10 bolsistas e 03 monitores do projeto, a avaliação conjunta de todo o processo e também a pré-estreia de uma websérie produzida por eles/as ao longo da formação.
A comunidade teve ainda a oportunidade de participar de uma oficina de podcast para criar um produto que vai ecoar na web para fortalecer a luta das comunidades quilombolas e de quebradeiras de coco babaçu. “Todo o evento foi muito especial. Entrevistamos os moradores de Bom Jesus para o podcast, recebi o meu certificado e tivemos a exibição da websérie produzida por nós com muita dedicação. Espero que a gente possa seguir desenvolvendo com a comunidade e com outros jovens tudo o que a gente aprendeu no projeto”, partilhou Douglas Barbosa que atuou juntamente com Francisco Campelo e Marcos Conceição dos Santos como monitores do projeto.
Para Celso Araújo, Secretário Nacional de Juventude Quilombola da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e articulador do projeto, a iniciativa é importante não só para contribuir com o acesso à Internet por parte das comunidades quilombolas, mas, principalmente “porque contribui para o engajamento das juventudes quilombolas nos processos organizacionais de cada comunidade. A Internet não é só fazer o uso dos aplicativos, é para fortalecer a comunidade, ecoar denúncias e apontar caminhos para a execução de políticas públicas”.
O depoimento de Celso corrobora a missão do Nupef que prevê o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) para contribuir com o exercício pleno da cidadania e a garantia da promoção dos direitos. As redes comunitárias implementadas pelo Nupef em comunidades quilombolas e indígenas contribuem para garantir acesso à Internet. Mas não se restringem a isso: são sistemas de comunicação – que podem estar conectados ou não à Internet – e contribuem para a proteção territorial, a resiliência, a conectividade e difusão de conteúdos de interesse público.
Anfitriã do evento, Dona Maria do Rosário Ferreira, quebradeira de coco babaçu, liderança do Quilombo Bom Jesus e bolsista do projeto, reforçou o quanto as redes comunitárias têm sido importantes para fortalecer a resiliência dos quilombos, garantir uma comunicação segura e fortalecer a luta das mulheres e das juventudes no território.
Formação – O projeto, além de implementar novas redes nos territórios e ampliar redes já existentes, também ofereceu uma formação online em tecnologia, direitos humanos e comunicação com foco na proteção ambiental para jovens e lideranças. Como resultado dessa formação, jovens ficaram aptos/as para fazer a implementação e gestão das redes comunitárias. As implementações de redes feitas pelos/as jovens foram nos quilombos de Camaputiua e Bom Jesus.
Como parte do processo formativo, os/as participantes do projeto também foram estimulados/as a produzir peças de comunicação para contar as histórias de seus territórios a partir das suas próprias vozes e olhares.
A websérie e o podcast “Territórios Resilientes e Conectados” são resultados desse percurso. São três episódios da websérie e dois do podcast que retratam os conflitos ambientais vivenciados pelos quilombos e pelos territórios das quebradeiras de coco, a força das tradições culturais e o poder da comunicação e da tecnologia para fortalecer a resiliência e favorecer os diálogos intergeracionais.
“Estamos muito felizes em poder contar as nossas histórias. Falar das nossas tradições e também denunciar as ameaças que vivemos”, comentou Ludmila Silva, moradora do Quilombo Santiago (MA) e jovem bolsista do projeto. Presente no evento, Priscila Aroucha, quilombola do município de Matinha, advogada popular e assessora jurídica dos movimentos quilombolas, é fundamental que os quilombos contem as suas próprias versões da história. “O projeto leva qualidade de acesso à Internet para as comunidades. Mas, não é só acesso, ele permite que possam ser feitos registros da nossa historicidade a partir do olhar de quem está na base. O que temos priorizado é contar a nossa história por nós mesmos, o que foi passado pelos nossos ancestrais. E projetos como esses são de suma importância porque viabiliza isso”, destacou a advogada.
Um dos entrevistados da websérie e do podcast, Raimundo Faustino Pereira, mais conhecido como Seu Bi, também compartilhou sua alegria: “Amei o projeto. Meus parabéns para os meninos que trabalharam certinho e para os cabeceiros do projeto. Foi muito ótimo me ver na websérie”.
A pré-estreia da websérie e a gravação do podcast aconteceram no Quilombo Bom Jesus e em breve as produções estarão disponíveis nas plataformas digitais!