Nupef participa de encontro internacional sobre economia política da inteligência artificial e infraestrutura digital
O Nupef foi uma das organizações da sociedade civil convidadas a participar do encontro internacional The Political Economy of AI: Rethinking the Digital State, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 8 de agosto. Organizado e apoiado pelo Global Fund for a New Economy, o encontro reuniu mais de 100 participantes, entre organizações da sociedade civil, pesquisadores e representantes do governo brasileiro.
Ao longo de três dias, os debates abordaram diferentes dimensões da transformação digital e seus impactos políticos, econômicos e sociais. Além da inteligência artificial, estiveram em pauta as infraestruturas públicas digitais (DPIs, na sigla em inglês), o futuro do trabalho e os minerais críticos — temas que colocam em discussão as relações entre tecnologia, poder, recursos e soberania.
Para o Nupef, o debate sobre infraestrutura digital pública é especialmente relevante. Desde 2024, a organização acompanha a agenda de DPIs e vem buscando refletir sobre estratégias e caminhos para contribuir com essa discussão a partir de uma perspectiva de direitos, autonomia e soberania tecnológica.
A diretora de Desenvolvimento Institucional do Nupef, Oona Castro, participou do encontro e destacou a necessidade de ampliar o próprio entendimento sobre o que pode ser considerado uma infraestrutura pública digital: “No âmbito da ONU e de outros fóruns internacionais, é importante que o Brasil vá além do orgulho de ter desenvolvido o Pix, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e milhares de serviços e soluções de identidade digital via Gov.br. Precisamos também interferir na definição conceitual do que são DPIs.”
Segundo Oona, a discussão atual tende a tratar infraestrutura como software com determinadas características, deixando de lado as infraestruturas físicas necessárias tanto para a conexão na ponta quanto para processamento e armazenamento de dados. “Hoje não temos uma visão de infraestrutura de interesse público. Dependemos essencialmente de infraestruturas construídas e mantidas por grupos privados de grande capital internacional. O debate sobre infraestrutura pública precisa estar vinculado às ideias de autonomia, soberania e autodeterminação”, concluiu a diretora.
Três dias de debates – A programação do evento combinou momentos de discussão entre organizações e pesquisadores com diálogos com representantes de governos. Na quinta-feira, foi realizada uma sessão exclusiva sobre infraestruturas públicas digitais, que incluiu a discussão de uma pesquisa conduzida por Mila Samdub, pesquisador que realiza estudos comparativos relevantes sobre DPIs no Brasil, Índia e países da União Europeia. Na sexta-feira, os participantes dialogaram com representantes de governos. O encontro foi encerrado no sábado, com duas mesas dedicadas a reflexões sobre os debates realizados ao longo dos três dias.
A participação do Nupef integra o esforço da organização de acompanhar e incidir em debates sobre as infraestruturas que sustentam a vida digital contemporânea. Para além da discussão sobre novas tecnologias, a agenda coloca em questão quem controla essas infraestruturas, quem define suas regras e quais alternativas podem garantir maior autonomia e interesse público.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.