Pré-lançamento de estudo sobre conectividade significativa na Amazônia reúne lideranças comunitárias, pesquisadores e representes de OSCs

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16 junho, 2026

No dia 19 de maio, Instituto Nupef e InternetLab realizaram o pré-lançamento do estudo Redes na Floresta: Reflexões e Caminhos para a Garantia da Conectividade Significativa na Amazônia. O encontro realizado no formato online reuniu lideranças comunitárias, representantes do poder público, pesquisadores e organizações da sociedade civil para debater os desafios e oportunidades da conectividade na região amazônica.

Participaram como debatedores e debatedoras: Maria do Socorro Teixeira Lima, vice-presidenta do Conselho Nacional das Populações Tradicionais Extrativistas (CNS), de Tocantins e do Fundo Puxirun e uma das principais defensoras dos direitos das quebradeiras de coco babaçu no Brasil; Cristivan Alves, jornalista e comunicador quilombola do Quilombo do Igarapé Arirá,  Oeiras do Pará; Eduardo Jacomassi, gerente de Universalização e Ampliação do Acesso da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); Graziela Castello, coordenadora de Estudos Setoriais e Métodos Qualitativos do Cetic.br e NIC.br e Marcelo Saldanha, presidente do Instituto Bem Estar Brasil (IBEBrasil).

Maria do Socorro destacou que a conectividade tem transformado o cotidiano de comunidades tradicionais amazônicas, ampliando o acesso à comunicação, à educação, à saúde e a serviços essenciais. Ela ressaltou, porém, que muitas localidades seguem sem qualquer acesso à Internet e defendeu a integração entre políticas de conectividade e de eletrificação, apontando a falta de energia elétrica como um dos principais obstáculos para a inclusão digital na região. Essa mesma realidade foi destacada por Cristivan ao citar a falta de acesso de centenas de comunidades quilombolas do Pará. Ele relatou que falhas constantes no fornecimento de energia comprometem o funcionamento de tecnologias de conectividade, mesmo em regiões próximas à Usina de Tucuruí. Para a liderança, a ampliação da conectividade na Amazônia exige políticas integradas que tratem energia elétrica e Internet como infraestruturas indissociáveis.

Representando a Anatel, Jacomassi comentou que o Brasil vive o maior ciclo de investimentos públicos em conectividade de sua história, mas alertou que a desigualdade social e territorial segue sendo o principal desafio para a universalização do acesso à Internet. Apresentou iniciativas em andamento, como os investimentos do 5G, do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) e do Programa Amazônia Integrada e Sustentável, além dos esforços para conectar escolas e localidades remotas, incluindo a instalação de sistemas de energia em áreas sem eletrificação.

Jacomassi também ressaltou os avanços nas discussões sobre redes comunitárias, incluindo uma proposta de projeto-piloto financiado pelo FUST, e defendeu que tecnologias satelitais devem ser analisadas a partir de suas potencialidades e limitações concretas. Como encaminhamento, apontou a necessidade de fortalecer mecanismos de coordenação entre diferentes áreas do governo, tomando como referência a experiência da Estratégia Nacional de Educação Conectada.

Já Graziela apresentou uma pesquisa em desenvolvimento pelo CETIC/NIC.br para produzir um diagnóstico mais preciso da conectividade na Amazônia Legal, combinando dados quantitativos, mapeamento de infraestrutura e escuta de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas. O objetivo é compreender como o acesso à internet impacta os modos de vida locais e gerar subsídios para políticas públicas e iniciativas de letramento digital mais adequadas às realidades da região. Como alerta, destacou resultados preliminares da TIC Domicílios 2025 que apontam que apenas 3% da população residente em unidades de conservação da Amazônia Legal possui conectividade significativa, enquanto 81% se encontram na faixa mais baixa do índice, revelando um cenário de profunda desigualdade no acesso às tecnologias digitais.

Por sua vez, Saldanha defendeu que a universalização da conectividade exige combinar diferentes tecnologias sem perder de vista a centralidade das redes fixas e da infraestrutura de fibra óptica. Para ele, soluções via satélite têm papel importante em áreas remotas, mas não substituem investimentos estruturantes nem a responsabilidade do Estado na expansão da infraestrutura. O pesquisador também chamou atenção para a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de financiamento público, incluindo apoio a redes comunitárias e subsídios à demanda para populações de baixa renda. Como síntese, destacou que os desafios da conectividade no Brasil envolvem não apenas cobertura, mas também acessibilidade econômica, qualidade do serviço e redução das desigualdades territoriais e sociais que ainda limitam o acesso significativo à Internet.

Encerrando o debate, a diretora de desenvolvimento institucional do Nupef, Oona Castro, destacou, entre outros aspectos, a necessidade de preservar uma visão sistêmica que trate energia como variável constitutiva da política de conectividade.

Baixe a publicação gratuitamente: https://nupef.org.br/2026/06/08/redes-na-floresta-conectividade-significativa-na-amazonia-exige-politicas-articuladas-inclusao-digital-e-respeito-as-especificidades-territoriais/

Anexo

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