Nupef compartilha sua experiência em infraestrutura resiliente e autonomia digital no 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital
Apresentação destacou o papel das tecnologias abertas, da infraestrutura autônoma e da formação política para fortalecer organizações, movimentos sociais e ecossistemas digitais comprometidos com a garantia de direitos
No dia 19 de maio, durante o 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital, o Instituto Nupef compartilhou sua experiência de construção e manutenção de infraestruturas digitais autônomas, resilientes e seguras, por meio do projeto TIWA. A contribuição foi apresentada por Moacir Neto, coordenador de tecnologia da organização, e trouxe para o debate uma perspectiva que articula tecnologia, autonomia digital e fortalecimento de iniciativas da sociedade civil.
A apresentação destacou a metodologia desenvolvida pelo Nupef para apoiar organizações, movimentos sociais e iniciativas de interesse público por meio da construção de infraestruturas capazes de reduzir dependências tecnológicas e ampliar capacidades locais. Em decorrência de o Nupef operar um Sistema Autônomo (AS) (grupo de redes de endereços IP), a organização tem a possibilidade de gerenciar e oferecer infraestrutura como serviço (Iaas) para projetos e organizações parceiras. Para qualificar a oferta, o Nupef adotou plataforma aberta OpenNebula que permite gerenciar a virtualização de serviços internos e ferramentas de colaboração. Desta forma, é possível oferecer uma estrutura de suporte para aplicações internas, iniciativas parceiras e manutenção de redes comunitárias, fortalecendo a capacidade técnica e a sustentabilidade das ações desenvolvidas pela organização.
Esse modelo permite que organizações gerenciem estruturas digitais próprias, com maior controle sobre seus serviços e sob um contrato não comercial. Trata-se de um espaço seguro usado inclusive para experimentações. A infraestrutura mantida pelo Nupef também envolve serviços auto-hospedados (self-hosted) e a utilização prioritária de tecnologias livres e de código aberto. Entre as experiências apresentadas durante o Encontro estiveram plataformas voltadas à colaboração e gestão, além de iniciativas como o Graúna, sistema voltado à preservação de conteúdos e memórias digitais, permitindo armazenar registros e informações que podem desaparecer da Internet, além de um espaço de armazenamento para compartilhamento de arquivos e serviços para jovens de territórios quilombolas que participaram de programas de formação do Nupef.
Mais do que oferecer suporte técnico, o trabalho desenvolvido pelo Nupef busca criar condições para que parceiros e comunidades possam gerenciar seus próprios ambientes digitais, plataformas e serviços na Internet, fortalecendo processos de autonomia e soberania tecnológica. Ao apresentar essas experiências, o Nupef reforçou que discutir infraestrutura digital não significa apenas falar sobre servidores, aplicações ou conectividade. Significa também refletir sobre modelos de governança, autonomia e participação social na construção das tecnologias. Desta forma, reforçou-se que a construção de soberania digital depende não apenas do desenvolvimento de soluções tecnológicas, mas também da criação de infraestruturas comprometidas com direitos, segurança, autonomia e fortalecimento de ecossistemas digitais públicos e comunitários.
“Precisamos de mais pessoas envolvidas nas discussões sobre política e regulação das tecnologias. Um dos desafios é traduzir questões técnicas com rigor, mas também com clareza, para que elas cheguem aos formuladores de políticas públicas. Precisamos de mais profissionais que entendam a técnica como política e a coloquem a serviço da justiça social. Isso é fundamental”, concluiu Moacir Neto.
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