Carlos Afonso (C.A.) inaugura o Diálogos EGI, novo projeto de memória da governança da Internet

Estreia do Diálogos EGI
19 agosto, 2026

Primeiro convidado da série dedicada a registrar a história da governança da Internet no país, o diretor executivo do Nupef abriu uma atividade que passa a integrar oficialmente a Escola de Governança da Internet.

No dia 31 de julho, o Nupef participou da estreia do Diálogos EGI, projeto que se propõe a registrar a história da governança da Internet pela voz de quem a construiu. O convidado da primeira edição foi Carlos Afonso (C.A.), diretor executivo do instituto e um dos nomes que ajudaram a construir a Internet no Brasil. A atividade reuniu, além dele, os entrevistadores convidados Nelson Pretto e Flávio Wagner e alunas e alunos do Curso Intensivo EGI 2026.

Idealizado para resgatar os caminhos percorridos até aqui, o Diálogos EGI reúne entrevistas com personalidades que participaram da formação do ecossistema digital brasileiro, atentando para as dimensões políticas, econômicas, sociais e culturais desse processo. A proposta é contar essa história a partir do olhar de quem a fez, e de quem segue fazendo. C.A. foi o convidado escolhido para estrear a série, que passa a integrar oficialmente as atividades da Escola de Governança da Internet a partir deste ano.

A conversa se organizou em três blocos, do resgate histórico ao legado e aos futuros possíveis. Voltou às experiências pioneiras que abriram caminho para a Internet no país; detendo-se no que esse percurso deixou de mais decisivo e no que ainda pesa nas disputas de hoje; e chegou às perguntas sobre o que vem pela frente, diante de uma transformação tecnológica cada vez mais acelerada e complexa. O formato em roda, mais próximo de uma conversa aberta do que de uma entrevista tradicional, deu espaço para que tanto os convidados quanto os alunos puxassem os fios que mais lhes interessavam.

Antes de ser um dos protagonistas da chegada da Internet ao Brasil, Carlos Afonso consertava rádios no interior de São Paulo e chegou a montar uma emissora clandestina em Presidente Prudente aos 14 anos de idade. Foi no exílio, durante a ditadura militar, primeiro no Chile, depois no Canadá, que teve os primeiros contatos com a computação e com a ideia de acessar informação por meio de redes, algo que, nos anos 1970, ainda não existia como Internet. Voltou ao Brasil com a anistia trazendo na bagagem um dos primeiros computadores pessoais, e a convicção de que aquela tecnologia podia servir à democratização da informação.

Com Betinho, ajudou a fundar o Ibase, e foi ali que nasceu o Alternex, que começou como um ponto de encontro de BBS, os quadros de aviso eletrônicos que antecederam a web, e se tornou uma das primeiras experiências de provimento de acesso à rede fora do meio acadêmico no país. Quando o Rio de Janeiro sediou a Eco-92, foi o Alternex que serviu de ponte para conectar a conferência da ONU à Internet, abrindo espaço para a participação da sociedade civil de diferentes países num evento que ensaiava um modelo multissetorial de participação.

Daí em diante, seu nome se entrelaça com os marcos da governança brasileira. Participou das articulações que, em meados dos anos 1990, levaram à criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil, um arranjo multissetorial pioneiro que passou a servir de referência mundo afora, e ajudou a fundar o capítulo brasileiro da Internet Society. Em 2021, entrou para o Hall da Fama da Internet. Ainda assim, é dos primeiros a lembrar que nada disso foi obra de uma pessoa só, e costuma devolver o crédito ao coletivo de acadêmicos, técnicos e militantes que construíram essa história com ele. À frente do Nupef, segue nessa construção.

A gravação da entrevista será publicada pelo NIC.br e ficará disponível como registro público, aberto a quem quiser conhecer esse percurso ou revisitá-lo. É o primeiro de uma série que ainda vai crescer.

Anexo

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