Tecnologias nas redes sociais e economia política das redes digitais

O mapeamento do "estado da arte" dos estudos sobre redes sociais no Brasil (veja aqui) gerou dois interessantes subprodutos: um de trabalhos relacionados ao uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) em relações sociais e ações coletivas; outro de abordagens críticas da Economia Política sobre as redes digitais e suas interseções com a informação, a comunicação, o conhecimento e a cultura. Em comum, essas produções acadêmicas têm o fato de serem bastante recentes: a grande maioria foi finalizada entre os anos 2000 e 2005.
No primeiro grupo concentram-se as reflexões sobre as restrições de acesso à Internet, sobretudo por parte das populações periféricas e comunidades pobres, e as alternativas para superá-las (inclusão digital); as formas democráticas de gestão da infraestrutura e conteúdos das redes digitais (governança); a organização e disponibilidade das informações de interesse público (e-governo, democracia eletrônica); as emergentes formas de ativismo político e resistência cultural via redes digitais; as articulações de indentidades e conversações em comunidades virtuais; e as grandes questões sociológicas, antropológicas, filosóficas e políticas geradas pelo chamado ciberespaço.
No segundo grupo alinham-se temas complexos, pensados a partir de perspectivas críticas da Economia Política, tais como:

  • o "encantamento tecnológico" do pensamento de Castells sobre a "sociedade em rede" e a "nova economia", bem como das teorias de "gestão do conhecimento", que dominam as abordagens economicistas e gerenciais das redes digitais;
  • as regulações político-jurídicas, macroeconômicas e sociais envolvendo as comunicações digitais e eletrônicas;
  • os novos paradigmas de trabalho colaborativo e de conhecimento compartilhado, implícitos nos modelos de software livre e copyleft como crítica e resistência aos mecanismos de controle das redes e da propriedade intelectual;
  • a proposição de alternativas societárias ao capitalismo globalizado, entre as quais as redes de colaboração produtiva e de economia solidária;
  • e a ressignificação do espaço público e do mundo do trabalho sob o impacto da virtualidade, entre outras.

Diferentemente do mapeamento relativo às redes sociais, este levantamento bibliográfico foi feito em fontes diversas, privilegiando-se os acervos on-line de textos completos de artigos, comunicações em eventos, teses e dissertações. Nos casos de trabalhos em andamento ou ainda não incluídos em formato eletrônico nas respectivas bases de informação, foi fornecido um endereço de contato com o(a) autor(a) ou orientador(a). Os resultados desse "garimpo" foram organizados em dois documentos (incluidos abaixo para download):

  • Tendências das TDICs nas relações sociais e ações coletivas
  • Economia política das redes - perspectivas críticas

Como no levantamento anterior, cabe alertar que esta bibliografia está longe de ser exaustiva, dado o crescente interesse pelas questões mencionadas acima e outras decorrentes das reflexões sobre as redes digitais. Por isso, foram levantadas também as principais fontes de referência para atualização permanente dessa produção (Sonia Aguiar).

Veja também:
Estudos sobre redes sociais no Brasil (1996-2006)
Fontes de estudos sobre TDICs e redes no Brasil

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