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Nupef e mais 142 organizações defendem a implementação do Acordo de Escazú no Brasil

Escazú

Em carta destinada a Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, o Nupef e mais 142 organizações da sociedade civil solicitam ao governo federal o envio do Acordo de Escazú ao Congresso Nacional. É fundamental que o deputados e senadores aprovem o documento para que o tratado possa ser ratificado, em seguida, pelo presidente da República.

Ratificar o Acordo de Escazú sinalizará a disposição do Brasil de cooperar regionalmente para a proteção do meio ambiente e de defensores e defensoras ambientais, bem como garantir que todas as pessoas tenham acesso a informações adequadas e relevantes em questões ambientais para a realização e proteção de seus direitos humanos.

Outro diferencial do acordo é que ele é construído, desde o começo, com vasta participação do público. A sociedade civil brasileira pode e deve acompanhar de perto as negociações do tratado! Vale lembrar que entre os representantes do público definidos em votação popular está a brasileira Joara Marchezini, coordenadora de projetos do Nupef. 

Leia a carta na íntegra e a lista de organizações signatárias abaixo:

Para: Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira

Ministro da Casa Civil, Rui Costa;

Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva;

Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida;

Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara;

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino;

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro;

Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira;

Ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho;

Advogado-Geral da União, Jorge Messias.

 

Exmo. Ministro das Relações Exteriores Sr. Mauro Vieira,

 

As organizações da sociedade civil brasileiras e internacionais, abaixo assinadas, solicitam ao governo o envio do Acordo Regional sobre Acesso à Informação, Participação Pública e Acesso à Justiça em Assuntos Ambientais na América Latina e no Caribe – também conhecido como Acordo de Escazú – ao Congresso Nacional para sua aprovação e posterior ratificação pela Presidência da República. Também requeremos a mobilização de todos os esforços necessários das autoridades públicas para a rápida conclusão deste processo, dada a relevância deste Acordo Regional. 

Ratificar o Acordo de Escazú sinalizará a disposição do Brasil de cooperar regionalmente para a proteção do meio ambiente e de defensores e defensoras ambientais, bem como garantir que todas as pessoas tenham acesso a informações adequadas e relevantes em questões ambientais para a realização e proteção de seus direitos humanos.

Como é de seu conhecimento, o Acordo de Escazú visa garantir a implementação plena e efetiva, na América Latina e no Caribe, dos direitos de acesso à informação ambiental, de participação pública nos processos de tomada de decisões ambientais, e de acesso à justiça em questões ambientais. É também o primeiro acordo vinculante com disposições específicas sobre os compromissos dos Estados de garantir condições seguras às pessoas, grupos e organizações que promovem e defendem os direitos humanos em questões ambientais. Essas disposições incluem medidas para investigação e sanção aos ataques, ameaças ou intimidações contra defensoras e defensores.

Os parâmetros de proteção a defensores e defensoras de direitos humanos em questões ambientais, estabelecidos no Acordo de Escazú, refletem adequadamente a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos e os princípios orientadores apresentados pelo relator especial da ONU sobre direitos humanos e meio ambiente em 2018.

Na Amazônia, por exemplo, defensores, defensoras e organizações da sociedade civil há anos denunciam a violência associada à destruição ambiental. Na última década, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), mais de 300 pessoas morreram em conflitos pelo uso da terra e dos recursos naturais na região. Muitas outras enfrentaram sérias ameaças e distintos atos de violência e intimidação. Para proteger a floresta, precisamos proteger também defensores e defensoras.

Ratificar e implementar o Acordo de Escazú enviará uma mensagem muito necessária a defensores e defensoras ambientais – e à comunidade internacional – de que o Brasil envidará todos os esforços para cumprir os compromissos anunciados pelo presidente Lula de combater o desmatamento, defender os direitos dos povos da floresta e assumir um papel de protagonismo na resposta à crise climática. Além disso, fortalecerá a capacidade de defensores e defensoras de participar dos processos de tomada de decisões ambientais e continuar lutando pela proteção do meio ambiente. Para isso, recomendamos que seu Ministério se manifeste a favor do encaminhamento do Acordo, pela Presidência da República, à apreciação e aprovação pelo Congresso Nacional, e que o governo também articule o apoio necessário para sua aprovação.

Esperamos que o posicionamento do governo Lula sobre meio ambiente e direitos humanos se traduza em um compromisso renovado do Estado brasileiro de ampliar a ratificação e a implementação do Acordo de Escazú em toda a América Latina e no Caribe, inclusive participando com autoridades de primeiro escalão – ao menos como país observador – da segunda Conferência das Partes (COP2) em abril de 2023, em Buenos Aires (Argentina), e tomando as medidas necessárias para se tornar um Estado Parte.

Aguardamos atentamente a sua resposta.

Atenciosamente,

 

  1. Abong

  2. Abraço Guarapiranga

  3. Abraji - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

  4. Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade

  5. ActionAid

  6. AMAR Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária

  7. Amazon Watch

  8. Amigos da Terra - Amazônia Brasileira

  9. Anistia Internacional Brasil

  10. Aqualtune Lab

  11. ARAYARA.org

  12. Articulação Comboniana de Direitos Humanos

  13. Articulação para o monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil

  14. ARTIGO 19 - Brasil e América do Sul

  15. Associação Alternativa Terrazul

  16. Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público Ambiental (ABRAMPA)

  17. Associação Data Labe

  18. Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa

  19. Associação de Jovens Engajamundo

  20. Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - Apremavi

  21. Associação dos Amigos do Bosque dos Italianos

  22. Associação dos Especialistas em Políticas Públicas do Estado de São Paulo - AEPPSP

  23. Associação Fiquem Sabendo

  24. Associação indígena Kaluani

  25. Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro

  26. Associação turiwara

  27. ASUL - Centro de estudos e articulação da cooperação Sul-Sul

  28. CEAS - Centro de Estudos e Ação Social

  29. CEERT

  30. Centro de agricultura alternativa do Norte de Minas

  31. Centro de Educação e Assessoria Popular

  32. Centro de Promoção de Agentes de Transformação - CEPAT

  33. Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL

  34. CIVICUS: World Alliance For Citizen Participation

  35. Coalizão Brasil por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia

  36. Coding Rights

  37. COESUS Coalizão Não Fracking Brasil, Pelo Clima, Água e Vida

  38. Coletivo Digital

  39. Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular

  40. Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos

  41. Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo - CDHPF

  42. Comissão Pastoral da Terra

  43. Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos

  44. Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino

  45. Conectas Direitos Humanos

  46. Conselho Indigenista Misdionario - Cimi

  47. Construção Coletiva O Futuro Que Queremos

  48. Criola

  49. CTI - Centro de Trabalho Indigenista

  50. Defensores do planeta

  51. Espaço de Formação assessoria e Documentação

  52. FAOR Fórum da Amazônia Oriental

  53. FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Desenvolvimento e Meio Ambiente

  54. FNPETI - Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil

  55. Forest Trends

  56. Fórum Brasileiro de Segurança Pública

  57. Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas

  58. Fórum de Direitos Humanos e da Terra MT

  59. Frente Ampla em Defesa da Saúde de Trabalhadores e Trabalhadoras

  60. Front Line Defenders

  61. Fundação Esquel Brasil.

  62. Fundação SOS Mata Atlântica

  63. Fundación Ciudadania Inteligente

  64. Gambá - Grupo Ambientalista da Bahia

  65. GESTA (Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais da UFMG)

  66. Girl Up Brasil

  67. Global Witness

  68. Greenpeace Brasil

  69. Greve pelo Clima (Fridays for Future Brasil)

  70. Human Rights Watch

  71. Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

  72. Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena

  73. Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial

  74. Instituto 5 Elementos - Educação para a Sustentabilidade

  75. Instituto Aaron Swartz

  76. Instituto Alana

  77. Instituto Alziras

  78. Instituto Ayika

  79. Instituto Brasileiro de Analises Sociais e Economicas _ Ibase

  80. Instituto Centro de Vida (ICV)

  81. Instituto Clima de Eleiçao

  82. Instituto Clima e Sociedade

  83. Instituto Cordilheira

  84. Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)

  85. Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA)

  86. Instituto de Referência Negra Peregum

  87. Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS)

  88. Instituto Igarapé

  89. Instituto Internacional de Educação do Brasil

  90. Instituto Nupef

  91. Instituto OPS

  92. Instituto Physis - Cultura e Ambiente

  93. Instituto Sociedade, População e Natureza

  94. Instituto Socioambiental - ISA

  95. Instituto Vladimir Herzog

  96. IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

  97. Justiça Global

  98. Justiça nos Trilhos

  99. Kurytiba Metropole

  100. Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN)

  101. Libres - Liga Brasil de Responsabilidade Socioambiental

  102. Maer Natura - Instituto de Estudos Ambientais

  103. Movimento Nacional de Direitos Humanos - MNDH Brasil

  104. NOSSAS

  105. Núcleo Apostólico Bahia

  106. Observatório do Clima

  107. Observatório do Marajó

  108. Observatório Indigenista

  109. Observatório para qualidade da lei - Faculdade de Direito-UFMG

  110. OCM Observatório do Carvão Mineral

  111. OLMA - Observatório de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida

  112. Open Knowledge Brasil

  113. OPG Observatório do Petróleo e Gás

  114. Organização De Desenvolvimento Sustentável

  115. PerifaLAB

  116. Plataforma CIPÓ

  117. Pólis - Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais

  118. Protection International Brasil e América do Sul

  119. REBEA - Rede Brasileira de Educação Ambiental

  120. Rede Cerrado

  121. Rede de Cooperação Amazônica - RCA

  122. Rede Eclesial Pan Amazônica REPAM- Brasil

  123. Rede Fé, Paz e Clima

  124. REDE GTA

  125. Rede Igrejas e Mineração

  126. Redes da Maré

  127. RETPS - Rede pela Transparência e Participação Social

  128. SARES - Serviço Amazônico de Ação, Reflexão, Estudos Socioamnientais

  129. Seja Democracia | IMJA

  130. Servidores Públicos Federais Aposentados

  131. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos

  132. SOS Amazônia

  133. SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental

  134. Terra de Direitos

  135. TOXISPHERA Associação de Saúde Ambiental

  136. Transparência Brasil

  137. Transparência Internacional - Brasil

  138. Uma Gota No Oceano

  139. URI - Iniciativa das Religiões Unidas

  140. Washington Brazil Office

  141. We World GVC Onlus

  142. WWF Brasil

  143. 350.org América Latina

  144. 4daddy

 

 

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