Nupef compartilha sua metodologia de implementação de redes comunitárias na 1ª Formação de Multiplicadores(as) do Sabedoria Digital

Ação de campo do Projeto Territórios Resilientes e Conectados
21 maio, 2026

Participação reforçou a importância da conectividade significativa, da autogestão comunitária e do protagonismo dos territórios na construção de infraestruturas digitais

Durante a 1ª Formação de Multiplicadores(as) do Sabedoria Digital, realizada no âmbito do programa Conexão Povos da Floresta, entre os dias 5 e 7 de maio em Brasília/DF, o Instituto Nupef contribuiu para os debates compartilhando sua experiência na implementação de redes comunitárias junto a povos e comunidades tradicionais. A participação trouxe para o centro da discussão uma perspectiva de conectividade baseada na autonomia, no fortalecimento comunitário e no respeito aos processos organizativos dos territórios.

O Nupef apresentou a metodologia desenvolvida ao longo de sua atuação em diferentes territórios, destacando etapas que vão desde os primeiros diálogos com organizações parceiras e representativas até os processos de formação, instalação, manutenção e sustentabilidade das redes comunitárias. Mais do que apresentar aspectos técnicos sobre acesso à Internet, foi reforçado que a conectividade pode ser compreendida como uma ferramenta para fortalecer modos de vida, comunicação comunitária, organização política e defesa de direitos.

Uma das contribuições centrais para o debate foi a discussão sobre o conceito de autogestão da conectividade, entendido como a participação ativa das comunidades em todas as decisões relacionadas à construção e ao funcionamento de suas infraestruturas digitais. Carol Magalhães, assessora de projetos do Nupef e representante da organização durante o evento, destacou: “Trabalhar com autogestão da conectividade significa construir redes comunitárias em que a própria comunidade participa das decisões sobre como a Internet será implementada, utilizada, mantida e organizada no território. Isso envolve desde a escolha dos locais de instalação dos equipamentos até a formação de pessoas responsáveis pela manutenção, gestão e sustentabilidade da rede. Respeitando sempre as formas organizativas das comunidades.”

Carol Magalhães na 1ª Formação de Multiplicadores(as) do Sabedoria Digital | Foto: João Vitor Tavares

A metodologia apresentada pelo Nupef busca construir soluções tecnológicas em parceria com as comunidades, considerando suas realidades, necessidades e prioridades. Em vez da implementação de modelos prontos, a proposta parte da escuta dos territórios e da construção coletiva dos processos. Esse trabalho inclui a participação de lideranças, associações comunitárias e juventudes em todas as etapas da implementação das redes, fortalecendo capacidades locais e ampliando a apropriação tecnológica.

Carol ressaltou ainda a importância de que comunidades tradicionais assumam papel central na gestão de suas próprias infraestruturas digitais: “É fundamental que os povos e comunidades tradicionais não sejam apenas consumidores de tecnologia, mas protagonistas da gestão de suas infraestruturas digitais. Quando a comunidade controla a rede, ela fortalece sua autonomia, reduz dependências externas e garante que a conectividade esteja alinhada às suas necessidades, culturas, formas de organização e estratégias de proteção territorial.”

Ação de campo do Projeto Territórios Resilientes e Conectados | Foto: Fabrício Serrão

A formação e a troca de saberes também apareceram como elementos principais da metodologia do Nupef. A organização entende que o fortalecimento das redes comunitárias depende da circulação do conhecimento dentro dos próprios territórios, garantindo que capacidades técnicas e organizativas permaneçam nas comunidades. Nesse sentido, o diálogo intergeracional é fundamental e um dos aspectos que ganha destaque entre as transformações já observadas é o papel das juventudes nos processos de mobilização e fortalecimento comunitário. “Uma das principais transformações é a maior participação da juventude nos processos comunitários, tornando-se um aliado fundamental no fortalecimento das pautas dos movimentos e organizações locais. Os jovens passam a atuar mais ativamente na comunicação, na mobilização e na articulação política dos territórios”, pontuou a assessora de projetos.

A participação do Nupef na formação reforçou que discutir conectividade significativa vai além do acesso à infraestrutura. Significa pensar tecnologias construídas em diálogo com os territórios, fortalecendo autonomia, participação social e o direito das comunidades de decidir sobre seus próprios caminhos digitais. Ao contribuir com os debates do Conexão Povos da Floresta, o Nupef reafirma seu compromisso com a construção de tecnologias orientadas pelas necessidades dos territórios e pelo fortalecimento das capacidades locais, reconhecendo as redes comunitárias como ferramentas para ampliar direitos, fortalecer organizações e apoiar estratégias de proteção territorial e ambiental.

Anexo

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