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Jornalismo e comunicação para transformar o mundo
Atualizado: 59 minutos 34 segundos atrás

Jovens bolsistas africanos colhem ideias sobre negócios da agricultura

qui, 30/04/2020 - 13:31

Enquanto obtêm seus mestrados ou doutorados, 80 jovens acadêmicos africanos estão lidando com os negócios da agricultura por meio da inovação e do frescor que acompanham a juventude.

BULAWAYO, Zimbábue, 30 de abril de 2020 (IPS) – Em Ruanda, Benimana Uwera Gilberthe, uma especialista produtora de pimenta, experimenta os desafios de ingressar no agronegócio. Na Nigéria, Ayoola Adewale tenta entender se a criação de ovos de aves de capoeira será uma oportunidade de negócio lucrativa e viável para os jovens da nação mais populosa do continente. Também na Nigéria, Esther Alleluyanatha estuda o vínculo entre jovens que deixam suas aldeias, seguindo para cidades maiores, e as remessas enviadas para casa e suas implicações nos meios de subsistência rural e na produtividade da agricultura.

Entendendo isso, esses três jovens pesquisadores estão de fato respondendo perguntas maiores sobre a agricultura no continente:

    • O que será necessário para atrair mais jovens africanos para a agricultura, um setor que o Banco Mundial afirma que pode valer US$ 1 trilhão nos próximos dez anos?
    • Que políticas e investimentos de apoio são necessários para desenvolver esse setor?

Adewale, Alleluyanatha e Gilberthe são apenas três dos 80 jovens estudiosos africanos que estão lidando com os negócios da agricultura por meio da inovação e do frescor que acompanham a juventude, enquanto obtêm seus mestrados ou doutorados. Eles são premiados com o reforço do programa Melhoria da Capacidade de Aplicação de Evidências de Pesquisa (Care), um projeto de três anos lançado em 2018 pelo Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), com financiamento do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida).

O projeto tem o objetivo de “construir uma compreensão da redução da pobreza, do impacto no emprego e fatores que influenciam o envolvimento dos jovens no agronegócio e nas economias rurais agrícolas e não agrícolas”, de acordo com o diretor-geral do IITA, Nteranya Sanginga. Os beneficiários recebem treinamento em metodologia de pesquisa, gerenciamento de dados, redação científica e produção de evidências de pesquisa para elaboração de políticas. Eles são orientados por cientistas e especialistas do IITA em um tópico de pesquisa de sua escolha e produzem artigos científicos e resumos de políticas sobre seu trabalho”, explicou.

Sanginga defende há muito a ideia de que o desenvolvimento da agricultura é fundamental para enfrentar os desafios urgentes da insegurança alimentar, da pobreza e do desemprego de jovens no continente.

    De fato, a agricultura faz sentido para os negócios porque possui altos retornos por dólar investido, de acordo com o estudo do Fida
    The Economics Advantage: Assessing the value of climate change actions in agriculture, que afirma que, para cada dólar investido em um de seus programas de pequenos produtores, os agricultores poderiam ganhar entre US$ 1,40 e US$ 2,60 em um período de 20 anos, aplicando práticas de adaptação às mudanças climáticas.

“A juventude traz energia e inovação, mas essas qualidades podem ser melhor canalizadas pelos próprios jovens africanos, por meio da realização de pesquisas baseadas em resultados no agronegócio e no desenvolvimento rural direcionado a eles. O envolvimento deles é fundamental”, destacou Sanginga.

Os jovens agricultores e irmãos Prosper e Prince Chikwara estão usando técnicas de agricultura de precisão em sua fazenda de horticultura, nos arredores de Bulawayo, Zimbábue. Foto: Busani Bafana/IPS

A agricultura comercial é a resposta para o desemprego juvenil?

Adewale, doutoranda na Universidade de Ibadan, trabalha como assistente técnica na Unidade de Coordenação de Operações Federais para Emprego e Operação Social de Jovens (Focu-Yesso), em Abuja. A Yesso tem a tarefa de fornecer acesso a oportunidades de trabalho para jovens pobres e vulneráveis da Nigéria. Esse país, que tem uma população de mais de 180 milhões de habitantes, teve 19,58% de desemprego jovem em 2019, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“A agricultura comercial possui um imenso potencial como saída da pobreza”, apontou Adewale à IPS. A Nigéria também é um importador de alimentos, gastando uma média de US$ 22 bilhões anualmente. O país importa arroz, peixe, trigo, produtos avícolas, leite e pasta de tomate, responsáveis por mais de US$ 1,4 bilhão na conta de importação de alimentos.

“O envolvimento dos jovens na agricultura comercial está crescendo e parece ser a saída para a atual taxa de desemprego. No entanto, é necessário o apoio do governo e do setor privado para que os jovens compitam favoravelmente, prosperem de maneira sustentável e aumentem a geração seguinte de empreendedores da agricultura comercial”, ressaltou Adewale.

Para o seu tópico de pesquisa, ela quer entender se a produção de ovos de aves de capoeira é um empreendimento rentável e tecnicamente eficiente para os jovens agricultores, avaliando especificamente o impacto do Projeto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (CADP). O CADP é um programa assistido pelo Banco Mundial, destinado a fortalecer os sistemas de produção agrícola e facilitar o acesso ao mercado para cadeias de valor direcionadas, entre pequenos e médios agricultores comerciais nos estados de Cross River, Enugu, Lagos, Kaduna e Kano.

“A agricultura comercial, em todas as cadeias de valor, tem potencial para aumentar a produtividade, a lucratividade e o crescimento econômico da Nigéria, e mesmo da África”, afirmou Adewale. “O estudo fornecerá informações sobre como os programas de agricultura comercial são sustentáveis, além de fornecer orientações sobre como esta pode ser aproveitada pela agricultura africana”.

Dinheiro na agricultura

Alleluyanatha, também da Nigéria, está preocupada com a alta taxa de desemprego entre os jovens, principalmente nas áreas urbanas. “É necessário, portanto, desencorajar o êxodo de jovens das áreas rurais para as urbanas e incentivá-los a entrar na agricultura, que é conhecida por ser a principal fonte de subsistência nas áreas rurais”, opinou. Ela está pesquisando sobre migração dos jovens, suas remessas e as implicações na subsistência rural e na produtividade agrícola da África, comparando famílias com jovens migrantes e aquelas sem.

Em Ruanda, Gilberthe e seus colegas de graduação começaram a cultivar pimenta para exportação depois de firmar um contrato com o Conselho Nacional de Desenvolvimento das Exportações Agrícolas do país. “O empreendimento foi bem-sucedido e demos aos jovens a ideia de como o agronegócio pode ser um trabalho decente se você o fizer profissionalmente e investir nele”, explicou à IPS. “Eu costumava ter pelo menos US$ 210 cada vez que vendíamos nosso produto”.

Jovens com idade entre 14 e 35 anos representam 39% da população de Ruanda, mas, segundo Gilberthe, muitos não participam do agronegócio devido a habilidades limitadas sobre o setor, falta de capital inicial, acesso limitado a terras e a informações sobre oportunidades do agronegócio.

Na verdade, é uma questão em todo o continente. A Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra) observa que a África precisa de intervenções direcionadas focadas em tornar a agricultura uma opção de emprego viável para os jovens africanos que são impedidos de se unir a ela por falta de terra, crédito, insumos agrícolas de qualidade, máquinas e habilidades.

Gilberthe está pesquisando como a participação em esquemas de financiamento afeta a renda dos jovens empresários. Ele acredita que as políticas para o envolvimento dos jovens no agronegócio também devem incluir treinamentos sobre como administrar esses negócios. Além disso, considera que essas políticas também devem prever mais programas de financiamento ao agronegócio.

“Em Ruanda, os jovens envolvidos no agronegócio têm o problema de não possuírem terras e a maioria deles usa a terra dos pais, mas sua renda é limitada e eles precisam de acesso a crédito”, apontou Gilberthe.

    • Ruanda, um dos menores países da África por quilômetro quadrado, tem um território de pouco menos de 27 mil quilômetros quadrados. Cerca de 69% da terra é usada para agricultura, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

“Penso diferente sobre a agricultura agora”, contou Gilberthe. “Como jovem pesquisador, descobri as oportunidades e barreiras para os jovens envolvidos no agronegócio e essa pesquisa está me dando uma chance de contribuir para a formulação de políticas sobre o envolvimento dos jovens no agronegócio. Com minhas descobertas, poderei provar que os jovens estão errados ao considerar a agricultura como um trabalho para idosos e para os que vivem no meio rural, ou outras pessoas que ainda pensam que a agricultura não pode melhorar sua renda”.

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Pandemia estabelece os déficits da África, mas os jovens crescerão no futuro

qua, 29/04/2020 - 05:03

Nteranya Sanginga é diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical.

IBADAN, Nigéria, 29 de abril de 2020 (IPS) – As fragilidades da África foram brutalmente expostas pela pandemia de coronavírus. O vírus atingiu quase todos os países desse continente de 1,3 bilhão de pessoas e a Organização Mundial de Saúde adverte que poderá haver dez milhões de casos em seis meses. Dez países não possuem ventiladores pulmonares.

Os governos estão combatendo a pandemia com sistemas de saúde fracos, nos quais os bloqueios são especialmente punitivos pela ausência de um estado de bem-estar social. Muitas pessoas subsistem com ganhos diários, vivendo da economia informal, em condições de vida densamente povoadas que zombam do “distanciamento social”. O colapso dos preços das commodities nos mercados internacionais e as saídas de capital dos mercados emergentes estão atingindo as economias.

Entretanto, os pontos fortes da África também estão em exibição. Lições valiosas foram aprendidas com epidemias passadas, como o surto de ebola em 2014, e os governos estão respondendo com medidas estritas. Longe da imagem estereotipada de terceiro mundo, que pede ajuda aos países mais ricos, as pessoas estão demonstrando resiliência, generosidade e espírito cívico sem limites.

A população jovem da África também dá esperança. Com uma idade mediana inferior a 20 anos, o continente pode sofrer relativamente menos mortes do que outras nações com populações mais envelhecidas. A pandemia está enfatizando o que muitos advertem há anos: que as economias da África precisam depender menos da exportação de matérias-primas e fazer mais para lidar com as questões urgentes de insegurança alimentar, desemprego jovem e pobreza.

O desenvolvimento da agricultura é fundamental para enfrentar esses desafios. A juventude traz energia e inovação à situação, mas essas qualidades podem ser melhor canalizadas pelos próprios jovens africanos, com a realização de pesquisas baseadas em resultados no agronegócio e no desenvolvimento rural. O envolvimento dos jovens é fundamental.

Como uma organização sem fins lucrativos de pesquisa para o desenvolvimento, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) trabalha com vários parceiros da África subsaariana para facilitar soluções agrícolas para a fome, a pobreza e a degradação dos recursos naturais. O IITA melhora os meios de subsistência, aumenta a segurança alimentar e nutricional e incrementa o emprego como um dos 15 centros de pesquisa no Conselho de Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), uma parceria global para um futuro alimentar seguro.

Durante toda a pandemia, o IITA está ajudando os sistemas alimentares subsaarianos, monitorando os preços dos alimentos e fortalecendo o acesso às tecnologias e mercados agrícolas.

Antes do surgimento do coronavírus, o IITA havia lançado um projeto de três anos conhecido como Melhoria da Capacidade de Aplicação de Evidências de Pesquisa (Care) para construir uma compreensão da redução da pobreza, impacto no emprego e fatores que influenciam o envolvimento dos jovens no agronegócio e nas propriedades rurais e não agrícolas. O projeto foi financiado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e forneceu 80 bolsas de pesquisa para jovens acadêmicos africanos, com ênfase em jovens profissionais e estudantes do sexo feminino, com o objetivo de conseguir mestrado ou doutorado.

Os beneficiários recebem treinamento sobre metodologia de pesquisa, gerenciamento de dados, redação científica e produção de evidências de pesquisa para elaboração de políticas. São orientados por cientistas e especialistas do IITA sobre um tópico de pesquisa de sua escolha e produzem artigos científicos e resumos de políticas referentes ao seu trabalho.

Como a África vai alimentar uma população que dobrará em 2050? Como diz o CGIAR, estamos em uma encruzilhada no sistema alimentar mundial e não podemos continuar nossa trajetória atual de consumir muito pouco, muito, ou os tipos errados de alimentos, a um custo insustentável para os recursos naturais, o ambiente e a saúde humana.

Na África subsaariana, a agricultura contribui para quase um quarto do PIB e os pequenos agricultores representam mais de 60% da população. Os jovens estão encontrando carreiras no agronegócio e o IITA busca fortalecer sua capacidade de formular planos de ação futuros para as comunidades locais e até para governos nacionais, o setor empresarial e a comunidade internacional.

Dolapo Adeyanju, beneficiária do IITA, ilustra como a África é capaz de gerar mais engajamento dos jovens na pesquisa, seja sobre políticas, startups, agronegócio, iniciativas de desenvolvimento ou liderança. Nacional da Nigéria, ela é estudante de mestrado na Universidade de Nairóbi, trabalhando em colaboração com a Universidade de Pretória, com foco no impacto de programas agrícolas no empreendedorismo juvenil na Nigéria.

“Os formuladores de políticas não podem operar no vácuo”, afirma Adeyanju, enfatizando a necessidade de políticas apropriadas serem baseadas em evidências relevantes derivadas de resultados e recomendações de pesquisas.

O desenvolvimento de políticas eficazes permitirá que os jovens africanos que já estão aproveitando a pesquisa agrícola façam suas vidas com a agricultura. O projeto Care ajudará a compensar o déficit de pesquisas específicas para jovens, e o apoio do Fida garante que os jovens africanos tenham voz na maneira como podem contribuir para esse esforço.

A África não estava bem prepa

No entanto, à medida que a pandemia avança, a África deve ficar de olho nas necessidades de desenvolvimento no longo prazo. O IITA desempenhará seu papel de equipar a próxima geração para promover a agricultura e alimentar rada para uma crise da magnitude do Covid-19. As universidades foram fechadas, as fronteiras fechadas e o comércio despencou. A pandemia expôs décadas de subinvestimento em setores vitais, além de demonstrar a importância da colaboração científica e educacional. O foco imediato estará naturalmente na resposta direta à doença em termos de pesquisa médica, equipamentos e assistência médica. o povo da África.

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Hora de elevar a ambição pela ação climática

ter, 14/04/2020 - 16:38

Por IPS – 

Amsterdã, Holanda, (IPS) – Nos últimos dias, vimos a decisão compreensível de adiar a conferência sobre mudança climática da ONU – COP26 – que ocorrerá em novembro. Enquanto o mundo sofre com os impactos generalizados da crise do coronavírus, é a decisão certa.

O COVID-19 é uma questão global premente que está começando a prejudicar os sistemas de saúde, reduzir a produção econômica e minar os esforços para combater a pobreza e a desigualdade. São desafios que, nos próximos meses, precisarão de esforços conjuntos e colaborativos entre e dentro das nações para serem superados.

Mas o que isso significa para um dos desafios mais duradouros e universais que enfrentamos – o das mudanças climáticas? O atraso da COP26 até 2021 não significa que os esforços dos países para cumprir seus compromissos com as mudanças climáticas tenham que ser suspensos. Longe disso.

Cumprir o Acordo de Paris promete

Assim como o coronavírus, a mudança climática é uma causa significativa de resultados reduzidos para a saúde e a riqueza em todo o mundo. Sabemos que as conseqüências das mudanças climáticas continuam aumentando, impactando desproporcionalmente as comunidades que menos contribuíram para o problema das emissões de carbono, com efeitos devastadores no meio ambiente e na biodiversidade global.

Portanto, embora a reunião global da COP26 de formadores de opinião e especialistas em mudanças climáticas não ocorra neste outono na Escócia, não pode haver demora ou recuar a ambição quando se trata de ação climática. De fato, para que os países cumpram as promessas feitas no Acordo de Paris, precisamos de níveis de ambição para crescer.

Uma transição verde na recuperação do COVID-19?

Mesmo que os países se esforcem para conter e mitigar a crise do COVID-19, não podemos perder isso de vista. É por isso que a ação climática precisa ser mantida na corrente principal das discussões políticas – e até considerar como a fase de recuperação da pandemia, quando ocorre, pode ser implementada de uma maneira que apoie uma transição verde.

A Comissão Européia já foi franca, com o vice-presidente executivo Frans Timmermans afirmando em 1º de abril que, quando se trata de lidar com as mudanças climáticas, “não desaceleraremos nosso trabalho, nacional ou internacionalmente”. Essa posição é bem-vinda – e precisamos das eco das outras grandes economias do mundo.

Entrada de negócios para a solução

Os esforços dos governos para combater as mudanças climáticas precisam incluir um maior envolvimento do setor privado. As empresas têm um grande papel ajudando a reduzir as emissões de carbono e contribuindo para soluções. É por isso que as práticas de negócios sustentáveis ​​precisam estar na frente e no centro dos esforços corporativos para realinhar a maneira como operam, agora e depois da pandemia.

De fato, contribuir para a mitigação das mudanças climáticas faz sentido para as empresas, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. O chamado investimento sustentável está em ascensão há algum tempo – e a atual crise está demonstrando por que os fatores ESG (ambientais, sociais e de governança) são cada vez mais importantes para os principais investidores.

Resiliência comercial, planejamento de continuidade, envolvimento da comunidade e direitos dos funcionários – todos esses riscos a serem gerenciados por ESG. Empresas responsáveis, que são transparentes em relação a suas práticas e levam a sério as obrigações para com as pessoas e o planeta, se beneficiam.

Compreender os impactos pode gerar melhorias

A GRI é a organização independente e com várias partes interessadas que fornece a estrutura de relatório de sustentabilidade mais usada, os Padrões da GRI. E durante esse período de testes, continuamos ajudando as empresas a divulgar seus impactos e apoiando os governos a colaborar com o setor privado no cumprimento dos compromissos nacionais de mudança climática.

Isso inclui o envolvimento de negócios nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que articulam os esforços de cada país para reduzir as emissões e se adaptar às mudanças climáticas.

Os NDCs são fundamentais para a implementação do Acordo de Paris, com todos os NDCs novos ou atualizados que precisam ser apresentados este ano. Embora reconheçamos os enormes desafios que muitos governos enfrentam como resultado do coronavírus, não podemos deixar esse cronograma escapar.

Em um espaço de tempo muito curto, o impacto do COVID-19 enviou ondas de choque ao redor do mundo. Quando se trata de mudanças climáticas, os riscos são de longo prazo, mais difusos e mais difíceis de quantificar.

No entanto, eles permanecem reais e mais voláteis do que nunca. As gerações futuras relembrarão 2020 como um ano em que a comunidade global se intensificou ou ficou aquém. Vamos garantir que este ano de crise traga o melhor de nós e não o decepcionemos.

 

Peter

Paul van de Wijs is Chief External Affairs Officer, Global Reporting Initiative

 

 

 

#Envolverde

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O futuro do jornalismo

qua, 08/04/2020 - 12:58

Por Andrés Cañizález* – IPS – 

CARACAS, 7 de abril de 2020 (IPS) – Em todo o mundo, o jornalismo está passando por uma era de incertezas. Ainda não está claro qual será o modelo de negócios para o campo de notícias e isso está acontecendo precisamente no momento em que as informações são um problema central na vida de todas as pessoas.

A pandemia de coronavírus destacou as duas dimensões. Os cidadãos em confinamento preventivo consomem muito mais notícias sobre as amplas implicações do COVID-19; mas isso, por sua vez, acontece sob uma modalidade não necessariamente lucrativa para o setor de notícias. O cenário de uma recessão global pós-pandemia está provocando temores no campo dos negócios de notícias entre muitos países.

O Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo publicou seu relatório sobre o futuro e as principais tendências esperadas neste campo para 2020. Isso foi divulgado antes da disseminação global do coronavírus. No entanto, o documento é muito relevante, pois traça linhas importantes sobre o futuro do jornalismo.
Neste artigo, por razões de espaço, estão incluídos os aspectos mais significativos do resumo executivo – apenas a ponta do iceberg. Para os interessados ​​em mais detalhes, recomendo a leitura completa aqui.

O estudo é baseado em pesquisas aplicadas a executivos do mundo jornalístico e líderes de projetos digitais na mídia. Foram pesquisadas 233 pessoas em 32 países. Os países incluem Estados Unidos, Austrália, Quênia, África do Sul, México, Argentina e Japão.

No entanto, a maioria dos entrevistados vive na Europa: Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Áustria, Polônia, Finlândia, Noruega e Dinamarca. É muito importante não perder de vista esse fato, pois isso implica os pontos de vista das pessoas que vivem em ambientes sem problemas de conectividade, velocidade da Internet ou acesso a smartphones.

Abaixo, um olhar mais atento a alguns aspectos interessantes:

A maioria dos executivos de mídia afirma estar confiante nas perspectivas de suas empresas; mas eles têm muito menos certeza sobre o futuro do jornalismo. Esse é geralmente o caso de pesquisas: quando as pessoas são questionadas se as condições em seu país pioram, às quais costumam responder afirmativamente, a próxima coisa que dizem – inversamente – é que elas esperam uma situação pessoal melhorada.

Uma das questões importantes sobre jornalismo reside na produção de notícias locais. Há temores de perda de credibilidade afetando jornalistas e mídia em geral; e isso pode ser intensificado por ataques ao jornalismo de funcionários públicos. Além disso, pode ser que Donald Trump esteja se transformando em um modelo dessa forma de ataque para líderes populistas de qualquer persuasão ideológica em sua disputa pelo poder.

Andrés Cañizález

Intimamente relacionado ao exposto, 85% dos entrevistados concordaram que a mídia deveria fazer mais para combater notícias falsas e meias-verdades, ou seja, abordar a desinformação e ficar de olho no fato de que ela pode ser incentivada ou direcionada diretamente dos hubs do poder político.

A crise global gerada pelo coronavírus, deixando milhares de vítimas para trás, sem certeza sobre a eficácia das vacinas atualmente em avaliação, tem sido o foco da disseminação de notícias falsas. Isso não apenas aumenta em contextos de tensão política, mas também graças à incerteza que prevalece no momento.

Como o jornalismo deve ser financiado? Os proprietários de mídia ainda dependem muito das taxas de assinatura: metade deles garante que será a principal via de receita. Cerca de um terço dos entrevistados (35%) acha que a publicidade e a renda dos leitores serão igualmente importantes. Essa é uma grande mudança na mentalidade daqueles que dirigem a mídia: apenas 14% se aventuram em conseguir que operem exclusivamente em publicidade.

Sem conhecer exatamente o impacto econômico global do coronavírus, as empresas de notícias devem se preparar para o impacto direto de uma recessão maciça nos bolsos de sua base de leitores, pois, diante do dilema de pagar por notícias ou atender às necessidades básicas, podem acabar escolhendo o último.

Por outro lado, existe muita preocupação entre editores e líderes de projetos de mídia sobre o crescente poder das plataformas digitais que fornecem mídia social ao público (Facebook, Twitter, Google). Embora essa preocupação seja generalizada, não há consenso sobre que tipo de resposta deve ser dada a esse novo poder que vem se consolidando.

Teme-se que os regulamentos aprovados pelos ramos legislativo ou executivo do governo acabem prejudicando em vez de ajudar o jornalismo (25% a 18% dos entrevistados), embora a maioria considere que eles não farão uma diferença notável (56%).

2020 será o ano dos podcasts. Mais da metade dos entrevistados (53%) afirma que as iniciativas nesse campo serão importantes este ano. Outros apontam a conversão de texto em voz como uma forma de capitalizar a crescente popularidade desses formatos.

Provavelmente, veremos mais movimentos da mídia este ano para personalizar capas digitais e explorar outras formas de recomendação automática. Mais da metade dos entrevistados (52%) afirma que essas iniciativas apoiadas pela IA serão muito importantes; mas as pequenas empresas temem ficar para trás. Esse ainda é praticamente um tópico de ficção científica para leitores nos países do Hemisfério Sul.

Atrair e reter talentos é uma grande preocupação para as empresas de mídia, especialmente para os cargos de TI. Outra preocupação diz respeito à maneira pela qual as empresas estão agindo sobre a diversidade de gênero. Nesta área, 76% acreditam que estão dando passos na direção certa.

No entanto, embora haja progresso na diversidade de gênero na mídia, esse não é o caso de outras formas de diversidade – geográfica (55%), política (48%) e racial (33%). Há um progresso notavelmente menor em relação às decisões dentro das empresas de notícias e, em alguns casos, a essas questões que simplesmente não fazem parte de suas agendas.

As perspectivas para o futuro do jornalismo, em geral, são marcadas por perguntas e não por certeza. O mundo como se vê após a pandemia do COVID-19 pode desencadear ainda mais algumas dessas perguntas, sem respostas prováveis ​​a curto prazo.

*Andrés Cañizález é jornalista venezuelano e doutor em ciências políticas

Traduzido por Envolverde

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Criando oportunidades para o empreendedorismo agrícola entre os jovens da África

qua, 18/03/2020 - 11:11

Com a crescente demanda doméstica e regional por alimentos diversificados e processados, há uma grande oportunidade de desenvolvimento para os negócios agroalimentares na África, bem como a necessidade de se criar oportunidades para fomentar o empreendedorismo agrícola entre as crescentes fileiras de jovens desempregados do continente.

IBADAN, Nigéria, 18 de março de 2020 (IPS) – “Não é fácil estar na agricultura, mas é preciso ter perseverança e paixão por ela”, contou à IPS Ngozi Okeke (30), diretora de operações da Frotchery Farms, durante uma visita à fábrica da empresa em Ibadan, Nigéria. Para ela, paixão e paciência são fundamentais para o sucesso nos negócios, mas também reconhece a necessidade de se criar oportunidades para fomentar o agronegócio entre as crescentes fileiras de jovens africanos desempregados.

A empresa processa cerca de 1.500 toneladas de peixe-gato vivo, peixe congelado e defumado, salgadinhos, filés e pó de peixe em sua fábrica em Ogidi Estate, Akobo, Ibadan. Os produtos são então embalados com a marca da empresa e vendidos nos mercados de todo o país. “Quando começamos, a nossa primeira produção de peixe defumado ficou toda queimada, perdemos nosso dinheiro e perdemos tudo. Mas sabíamos o que queríamos para nós mesmos e não desanimamos. Foi apenas um retrocesso e continuamos”, destacou Okeke.

Yusuf Babatunde (30), diretor de marketing, detalhou que a empresa começou com economias pessoais que os parceiros investiram na compra de peixe dos fazendeiros, antes de iniciar sua própria produção de peixe. “Acreditamos em alta qualidade quando se trata de produção de peixes e nossas diferentes habilidades ajudam a inovar e expandir nossa marca. E isso está valendo a pena”, enfatizou.

    • A África tem mais de 200 milhões de jovens entre 15 e 34 anos, de acordo com o Banco de Desenvolvimento da África (BAD). A agricultura é um fator econômico essencial em muitos países do continente, o que a União Africana há muito identificou como uma força para o crescimento social e econômico, em seu Programa Abrangente de Desenvolvimento da Agricultura na África (CAADP), de 2003.

    Mas os jovens têm percepções negativas sobre a agricultura, entre elas a de ser intensiva em trabalho e oferecer pouco ganho. “Muitos jovens não são pacientes, mas os que entram na agricultura precisam ser pacientes e perseverar em servir para ter sucesso”, opinou Okeke.

    A Frotchery Farms foi fundada em 2015 por Okeke, Babatunde e seu outro parceiro, Oni Hammed (31), depois de formados no Programa de Agronegócios de Jovens do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA). O programa forneceu recursos técnicos e materiais para lançar a empresa.

    • O diretor-geral do IITA, Nteranya Sanginga, estabeleceu o Programa de Jovens Empreendedores em 2012, com o objetivo de mudar a percepção dos jovens africanos sobre a agricultura, para vê-la como um negócio interessante e lucrativo. O Programa inscreve 60 jovens de 24 centros em toda a África para treinamento prático em agricultura e empreendedorismo.

Fique forte

O agronegócio é lucrativo, mas exige talento empreendedor e uma atitude de nunca morrer, algo que escapa aos jovens, apontou Hammed, diretor administrativo que também é responsável pela produção da Frotchery Farms. “Na maioria das vezes, os jovens sentem que são os idosos que podem trabalhar na agricultura e estamos tentando mudar essa mentalidade. É possível, pois os jovens são inovadores e podem criar algo e mudar a maneira como a agricultura é vista”, acrescentou à IPS.

Paixão sim, mas habilidades melhores

As habilidades em empreendedorismo agrícola são críticas para o emprego dos jovens, especialmente nas áreas rurais. Pesquisas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que os jovens estão se afastando da agricultura e mudando para as cidades para trabalhar como mão de obra pouco qualificada, enquanto aspiram empregos altamente qualificados, apesar do baixo nível de escolaridade.

“A incompatibilidade de habilidades é um grande problema e os jovens precisam ser treinados e treinados novamente em empregos ao longo da cadeia de valor agroalimentar, além da agricultura”, explicou à IPS Ji-Yeun Rim, gerente de projetos do Centro de Desenvolvimento da OCDE em Paris, França. Ele está coordenando um projeto de apoio a governos em nove países africanos e asiáticos para melhorar as políticas voltadas para a juventude, especialmente na cadeia de valor agroalimentar.

Com a crescente demanda doméstica e regional por alimentos diversificados e processados, há uma grande oportunidade de desenvolvimento dos negócios agroalimentares na África, afirmou Rim. “Muitos programas de emprego para jovens concentram-se no empreendedorismo, mas nossa pesquisa constata que este não é para todos e a maioria dos jovens não tem sucesso como empreendedores e geralmente permanece apenas em atividades de subsistência”, observou.

“O empreendedorismo é uma falsa panaceia para o problema do emprego dos jovens. Os jovens precisam ser treinados em vários tipos de trabalhos ao longo da cadeia de valor agroalimentar, da agricultura ao processamento, serviços e marketing, para que também possam encontrar cargos assalariados”.

Evidências de pesquisas para o desenvolvimento de políticas

Enquanto isso, o IITA aponta que mais jovens estão aproveitando a pesquisa agrícola e as novas tecnologias projetadas para os sistemas agrícolas na África, a fim de fazer uma carreira lucrativa na agricultura. O Instituto observa, porém, que os sistemas agrícolas precisam de transformação e fortalecimento para ajudar a alcançar emprego para os jovens, segurança alimentar, fome zero e alívio da pobreza.

Para esse fim, o IITA lançou a Melhoria da Capacidade de Aplicação de Evidências de Pesquisa (Care) na Política de Participação Juvenil no Agronegócio e nas Atividades Econômicas Rurais da África, um projeto de três anos financiado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida).

A Care busca aumentar a compreensão da redução da pobreza, impacto no emprego e fatores que influenciam o envolvimento dos jovens no agronegócio, na economia rural e não agrícola. Oferece bolsas para jovens acadêmicos africanos que pretendem estudar para um mestrado ou doutorado. Os pesquisadores recebem ajuda para desenvolver capacidade para gerar e disseminar resultados baseados em evidências, e influenciar políticas e práticas no apoio ao crescimento econômico e no cumprimento das metas dos ODS na África. Em 2020, 30 bolsistas receberam doações da Care.

Um dos primeiros beneficiados pelo projeto em 2019, Dolapo Adeyanju, estudante de mestrado da Nigéria, pesquisou o impacto de programas agrícolas no desempenho do empreendedorismo jovem nesse país da África Ocidental. Ela descobriu que muitos jovens aceitam o agronegócio como uma opção de carreira sustentável e lucrativa. “Mesmo assim, pode-se dizer que ainda há muito a ser implementado em termos de criação de um ambiente propício para jovens proprietários de agronegócios, sob a forma de políticas e intervenções que possam ajudar jovens empresários e futuros proprietários”, ressaltou.

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Realismo Climático: A opinião pública sobre as mudanças climáticas em 39 países

qua, 04/03/2020 - 13:07

Pesquisa Market Analysis, divulgação exclusiva Agência Envolverde – 

Esta é a segunda parte da pesquisa elaborada pela consultoria Market Analysis, sob a coordenação de Fabián EchegarayMurilo Urssi sobre a percepção existente em diversas regiões no mundo, inclusive no Brasil, sobre a realidade e impactos das mudanças climáticas.

A pesquisa “Realismo climático no Mundo” foi realizada por meio de entrevistas online com 29.870 pessoas em 39 países nos 5 continentes.

Homens e mulheres maiores de 18 anos, pertencentes a todas as classes socioeconômicas foram entrevistados durante 2019.

Cotas cruzadas de idade, sexo e classe social foram estabelecidas para garantir a representatividade de todos os grupos demográficos na amostra.

A primeira parte dessa pesquisa, realizada junto ao público brasileiro, apontou que 93% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas são realidade e impactam as vidas das pessoas e das políticas públicas.

Um dado preocupante dessa nova fase da pesquisa é que 46% dos entrevistados acreditam que já é muito tarde para agir no combate às mudanças climáticas.

Outro dado que precisa de uma melhor reflexão é o fato de que os mais pobres estão mais convencidos sobre a urgência de ações contra as mudanças no clima do que as populações mais ricas. Quanto menor a riqueza per capita (associada à educação e segurança material), maior o senso de urgência e conexão dos fenômenos climáticos com suas causas e efeitos. O bem-estar material anestesia a leitura sobre as mudanças climáticas.

A primeira parte pode ser lida AQUI.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Mulheres em áreas em crise precisam de apoio em saúde sexual e reprodutiva

ter, 11/02/2020 - 19:37

Por Samira Sadeque , IPS –

É necessário focalizar a situação inesquecível de mulheres e meninas que vivem em áreas de conflito e, em particular, apoiá-las com serviços de saúde sexual e reprodutiva, exigidos em um plano de ação humanitário 2020, a agência da ONU para a população.

Atualmente, existem mais de 168 milhões de pessoas que precisam de ajuda financeira no mundo, disse o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) na quinta-feira, dando uma imagem da situação. O fundo projeta que, durante este ano, 45 milhões de mulheres e meninas serão afetadas por seus direitos devido a algum tipo de conflito.

Para mulheres e meninas, os direitos à saúde sexual e reprodutiva muitas vezes se tornaram um problema secundário em situações de crise, mas especialistas dizem que é hora de torná-los uma preocupação primária.

O UNFPA exige 683 milhões para tratar do direito à saúde sexual e reprodutiva de mulheres e meninas em 57 países em crise. Crédito: Abdurrahman Warsameh / IPS

Segundo o UNFPA, para isso, é necessário um financiamento de 683 milhões de dólares, conforme destacado no plano divulgado na quinta-feira 6.

“Esses tipos de serviços há muito são esquecidos”, disse à IPS Arthur Erken, diretor da Divisão de Comunicações e Parcerias Estratégicas do UNFPA. “Não deve ser uma ideia que seja última, deve ser parte integrante de (toda a preocupação)”, acrescentou.

“Estamos focando nas mulheres e no que elas estão passando, porque estão na linha de frente”, disse à IPS Ann Erb Leoncavallo, do UNFPA. “Eles estão tentando cuidar de seus filhos, estão grávidas, estão tendo bebês, estão sendo bombardeados, sofrem inundações, água sobe, muitas outras coisas”, disse ele.

Leoncavallo acrescentou que muitas das mulheres em áreas de conflito podem liderar famílias monoparentais ou ter seu próprio trauma. “Eles ficam deprimidos, ficam traumatizados porque enfrentam um aumento na violência de gênero”, disse ele.

Os US $ 683 milhões serão utilizados para esforços em prol dos direitos à saúde sexual e reprodutiva das mulheres em 57 países, dos quais cerca de 300 milhões serão destinados a projetos do UNFPA em países como Síria, Iêmen, Iraque, Sudão e Somália. .

Para ajudar as mulheres a procurar ajuda, desaprender sua vergonha e estigma, o UNFPA está atualmente trabalhando com “espaços seguros para mulheres e meninas”, onde podem fazer uma pausa em seus ambientes hostis e atividades diárias.

Nesses espaços seguros, estabelecidos, por exemplo, nos campos de refugiados, as mulheres podem conhecer outras pessoas, compartilhar experiências, relaxar e ter um ambiente seguro para discutir sua situação e pedir ajuda, explicou Erken.

O objetivo de criar espaços nos quais os homens não podem entrar, explicou, é prestar muita atenção às mulheres, proporcionando-lhes um local onde elas possam se sentir calmas e obter serviços de consultoria sobre os assuntos que lhes dizem respeito.

Algo também importante, explicou o funcionário do UNFPA, é que a mulher não sofre estigma quando vai a esses espaços, como foi percebido nos campos de refugiados na Jordânia que possuem essas instalações.

Além disso, para manter a privacidade, os prestadores de serviços especiais das mulheres as visitam quando seus filhos estão na escola e seus maridos estão ocupados em outro lugar.

Afrah Thabet al Ademi, médica do UNFPA no Iêmen, que trabalha com mulheres que escaparam do conflito naquele país árabe, diz que a educação tem um papel a desempenhar na “desvalorização” desses serviços para a população refugiada.

De fato, o Fundo solicita não menos de US $ 100,5 milhões especificamente para o Iêmen, a maior quantia de todos os países em crise, onde se propõe a fornecer novos serviços de saúde sexual e reprodutiva para as mulheres.

“Muitas mulheres que não têm educação, se sentem agredidas e se sentem estigmatizadas se expressarem suas necessidades sobre o assunto ou no planejamento familiar”, disse Al Ademi à IPS.

O médico lembra como exemplo uma ocasião em que ela conheceu uma mulher que acabara de dar à luz e teve seu filho meio coberto com um véu. “Quando ele expôs o bebê, vi que ele o havia coberto com o papel de um material informativo, porque ele não tinha roupas para ele”, disse ele.

A partir disso, o UNFPA no Iêmen desenvolveu um kit para mães de recém-nascidos, que estará disponível para qualquer mulher que vier a dar à luz.

“Roupas para seus bebês é dar-lhes dignidade”, disse Al Ademi.

O “kit mãe”, o nome que eles deram a ele, tem roupas para o bebê, almofadas para a mãe, cobertores e fraldas, entre outras coisas para o recém-nascido e sua mãe.

O UNFPA também está alocando fundos para a República Democrática do Congo, Síria, Sudão, Bangladesh e Venezuela para ajudar na saúde sexual e reprodutiva das mulheres nesses países em diferentes crises humanitárias.

#Envolverde

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P&R: África deve inovar seus sistemas alimentares para vencer a fome e a pobreza

ter, 11/02/2020 - 16:14

O cientista e diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), NTERANYA SANGINGA, fala com o correspondente da IPS Busani Bafana sobre como o instituto está alavancando sua pesquisa bem-sucedida para impulsionar um maior investimento em agricultura.

BULAWAYO, Zimbábue, 11 de fevereiro de 2020 (IPS) – A África precisa investir na agricultura, aplicando mais recursos em pesquisa e desenvolvimento inovadores, que possam aumentar a segurança alimentar e nutricional, de acordo com o cientista Nteranya Sanginga, diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), com sede em Ibadan, na Nigéria.

Sanginga apontou que a África não consegue alavancar seus enormes recursos quando se trata de transformar a agricultura para o crescimento econômico. “O investimento em pesquisa na África é baixo, menos de 1%, e quando se trata de agricultura é pior, porque os líderes não entendem a importância da pesquisa”, destacou à IPS. “Hoje, se você acabar com o IITA na África, a pesquisa agrícola morre na África”, enfatizou.

Cidadão da República Democrática do Congo, Sanginga especializou-se em agronomia e microbiologia do solo, e esteve envolvido em pesquisa e desenvolvimento agrícola, particularmente em ecologia microbiana aplicada, nutrição de plantas e gerenciamento integrado de recursos naturais na África, América Latina e Sudeste Asiático.

Sanginga ressaltou que a África deve desenvolver capacidade de pesquisa para inovar seus sistemas alimentares para vencer a fome e a pobreza, e que os jovens são a chave para o futuro alimentar do continente. E destacou que lançou um programa no IITA para ajudar jovens africanos a criar agronegócios lucrativos.

Agricultores capinando um campo de trigo em Accra, Gana. Foto: Busani Bafana/IPS

Falando em uma reunião dos Líderes Africanos para Nutrição, em Addis Abeba, Etiópia, na semana passada, o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, disse que a África deve investir no desenvolvimento de habilidades para os jovens, para que os empresários do continente possam aproveitar as tecnologias emergentes e transformar o sistema alimentar da África, gerando novos empregos.

    • A população da África deve dobrar para 2,5 bilhões de pessoas em 40 anos, pressionando os governos a oferecer mais alimentos e empregos, além de melhores meios de subsistência.
    • A boa notícia é que o crescimento econômico da África está subindo e deve registrar 3,9% em 2020 e 4,1% em 2021, de acordo com o relatório de perspectivas econômicas africanas do BAD para 2020.
    • Segundo o Banco Mundial, a agricultura e o agronegócio africanos podem valer US$ 1 trilhão nos próximos dez anos. Mas o continente deve superar várias barreiras ao desenvolvimento agrícola, devido à má infraestrutura, acesso limitado ao crédito para os agricultores e baixo uso de insumos e mecanização aprimorados.

A Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra) aponta que a África precisa investir até US$ 400 bilhões em agricultura nos próximos dez anos para atender às suas necessidades alimentares. Até a presente data, 44 países africanos assinaram o Pacto Global do Programa de Desenvolvimento Agrícola Africano (CAADP), para investir 10% de seus orçamentos na agricultura e aumentar sua produtividade em pelo menos 6%. Isso segue a Declaração de Maputo sobre Agricultura e Segurança Alimentar, assumida pelos chefes de Estado africanos em 2003.

Sob a liderança de Sanginga, o IITA ganhou o Prêmio África de Alimentos 2018, por suas pesquisas agrícolas de ponta e inovações que aumentaram a nutrição e a renda. Desde a sua fundação, há 50 anos, o IITA desenvolveu variedades novas, melhoradas e de alto rendimento de mandioca, feijão-de-corda, milho, banana, soja e inhame. No geral, o valor das culturas desenvolvidas pelo IITA e seus parceiros atualmente é superior a US$ 17 bilhões, ressaltando-se sua contribuição para a agricultura e a economia africanas.

A seguir, um trecho da entrevista.

INTER PRESS SERVICE: Como o IITA está alavancando sua pesquisa bem-sucedida para impulsionar um maior investimento em agricultura?

NTERANYA SANGINGA: Está sendo iniciado um programa para mudar a mentalidade dos jovens sobre a agricultura. Infelizmente, com nossos governos, é por onde se deve ir para mudar completamente de mentalidade. Provavelmente, 90% de nossos líderes consideram a agricultura basicamente como uma atividade social. Para eles é uma dor, uma penúria. Eles proclamam que a agricultura é uma prioridade na resolução de nossos problemas, mas não estão investindo nela. É necessário que essa mentalidade seja completamente alterada.

Akinwumi Adesina, um colega com quem trabalhei no IITA, e eu discutimos que um dia mudaríamos a maneira como a agricultura seguia. Isso aconteceu quando eu me tornei diretor-geral e ele ministro da Agricultura na Nigéria. Conseguimos mudar a maneira como a agricultura era percebida na Nigéria, mas ele nunca conseguiu que o governo investisse mais de 3% no setor. Portanto, a agricultura deve ser considerada um investimento e dois países da África fizeram isso acontecer: a Etiópia – que está investindo cerca de 20% de seu orçamento na agricultura – e Ruanda.

Devemos investir na agricultura da mesma maneira que investimos na mineração. Por exemplo, a Nigéria importa US$ 5 bilhões em alimentos por ano, comprando arroz da Tailândia e trigo dos Estados Unidos, por exemplo. Sabe-se que o significado disso é que, em vez de criar empregos aqui, estão sendo criados empregos para o cultivo de arroz na Tailândia e de trigo nos Estados Unidos. O IITA provou que é possível produzir arroz e trigo aqui. Uma e outra vez é essa mentalidade dos líderes, que basicamente não entendem que todos os outros continentes desenvolveram-se por meio da agricultura. É preciso defender a agricultura.

IPS: O IITA enfatiza fortemente a abordagem da agricultura como negócio. Quais são as políticas necessárias que criarão uma abertura para isso?

NS: Eu penso que não vamos criar um milagre na África. Deve-se seguir o que outras pessoas fizeram. Adesina iniciou subsídios inteligentes na Nigéria e, em vez de dar dinheiro como você faria nos Estados Unidos ou na Europa, ele começou a comprar equipamentos, fertilizantes e outros insumos para os agricultores, o que está funcionando.

Não vejo outra maneira de ajudar a agricultura na África se não se facilitar nem subsidiar. Lembre-se de que, nos Estados Unidos ou na Europa, se os subsídios forem interrompidos, todos esses agricultores deixarão a agricultura, portanto, é preciso garantir que se encontrará alguma maneira de ajudar nossos agricultores a investir na agricultura. São necessárias liderança e políticas. Por que se permitiria que alguém roubasse US$ 10 bilhões de um país e não fizesse um esforço para investir isso em algo útil?

Além disso, a maioria dos bancos da África considera a agricultura arriscada, mas alguns adotaram iniciativas para ajudar os agricultores. No Quênia, o Equity Bank entendeu que a agricultura é um negócio. Na Nigéria, existe um programa para colocar algum dinheiro e arriscar empréstimos para a agricultura. De fato, o Equity Bank no Quênia emprestou a agricultores e tem menos de 1% de inadimplência em sua taxa de reembolso. Então, realmente a agricultura é um bom negócio, mas os bancos ainda relutam.

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