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Atualizado: 42 minutos 42 segundos atrás

Eletrificação de transportes: um desafio para a América Latina urbanizada

ter, 14/07/2020 - 23:17

Por Mario Osava, IPS – 

RIO DE JANEIRO, 13 de julho de 2020 (IPS) – O transporte elétrico, ainda limitado na América Latina, apesar de seus benefícios urbanos, pode se expandir durante a recuperação econômica pós-pandemia, diz Adalberto Maluf, presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).

Se houver grandes investimentos na necessária reativação da economia, eles devem fazer parte de “uma transição para uma economia verde, em uma agenda para o futuro”, como alguns países europeus já decidiram, disse Maluf, que também é diretor de Brasil da empresa chinesa BYD, maior fabricante mundial de veículos 100% elétricos.

Iêda de Oliveira está ao volante de um dos ônibus fabricados pela empresa que lidera, a Eletra, pioneira em ônibus elétricos e híbridos no Brasil. Lamenta que o Brasil, devido à falta de políticas públicas adequadas, tenha perdido o mercado externo de ônibus e parte do mercado interno para a China, depois de ter sido um grande exportador de ônibus para a América Latina e outras regiões. CRÉDITO: Cortesia de Eletra

“A transição para a mobilidade elétrica movida a energia limpa está começando a gerar um interesse crescente entre os governos e também entre os cidadãos”, observa o relatório “Mobilidade elétrica 2019: status e oportunidades de colaboração regional na América Latina e no Caribe”, divulgado em espanhol em 2 de julho pela ONU Meio Ambiente.

Isso se reflete no “surgimento de diferentes grupos da sociedade civil dedicados a esse setor e compostos por entusiastas, adotantes e empreendedores”, segundo o relatório, que aponta para um impulso maior no transporte público nos 20 países estudados.

Em uma região que se urbanizou rapidamente, com 80% da população vivendo em áreas urbanas e onde o número de grandes cidades subiu, os veículos elétricos estão melhorando o meio ambiente, o transporte, a qualidade de vida e a saúde coletiva, além de abrir novas possibilidades econômicas e geração de empregos e inovações tecnológicas.

O transporte é responsável por 22% das emissões da região de poluentes climáticos de curta duração e 15% dos gases de efeito estufa, de acordo com o relatório do escritório regional da agência, também conhecido como Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

A eletrificação de 100% do transporte urbano impediria 180.117 mortes de 2019 a 2050 na Cidade do México, 207.672 em Buenos Aires e 13.003 em Santiago, eliminando os gases e o material particulado emitido por veículos convencionais, estima o relatório.

A eficiência da eletricidade, muito superior à dos combustíveis fósseis nos veículos, oferece uma grande vantagem econômica a médio prazo.

Um ônibus fabricado pela BYD, empresa chinesa fundada em 1995 que logo se tornou uma potência na produção de baterias recarregáveis, ônibus elétricos, carros e painéis solares. No Brasil, a empresa instalou-se na cidade de Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo. Sua produção é focada em energia limpa e transporte. CRÉDITO: Cortesia de BYD Brasil

O veículo elétrico é mais caro por causa da bateria, que pode custar quase metade do total de um ônibus que pode percorrer 200 quilômetros sem recarregar, disse Iêda de Oliveira, diretora executiva da Eletra, empresa de ônibus elétricos fundada em 1988 em São Bernardo do Campo, perto da metrópole brasileira de São Paulo.

A diferença de preço, ela disse à IPS por telefone, é recuperada em poucos anos devido à economia de energia e manutenção, uma vez que os motores elétricos têm menos peças e se desgastam menos.

As vantagens econômicas são acentuadas em países que, como o Chile, dependem de petróleo importado e, portanto, sofrem os efeitos de oscilações internacionais de preços e flutuações nas taxas de câmbio.

O Chile se destaca na eletrificação de seu transporte urbano. A Rede Metropolitana de Mobilidade de Santiago tinha 386 ônibus elétricos até o final de 2019. Haverá quase 800 até o final de 2020. BYD (Build Your Dreams) é o maior fornecedor de ônibus elétricos no Chile, Maluf disse à IPS por telefone de São Paulo.

Além disso, o Chile estabeleceu uma meta de eletrificar toda a sua frota de transporte público e 40% do transporte privado até 2050, como parte da Estratégia Nacional de Eletromobilidade aprovada em 2016.

A Colômbia também se destaca, com 483 ônibus elétricos em operação ou encomendados em Bogotá e outros 90 nas cidades de Cali e Medellín até o final de 2019. A meta nacional para 2030 é ter 600.000 veículos elétricos de todos os tipos, segundo o PNUMA relatório.

Costa Rica e Panamá são outros países da região que adotaram planos nacionais de mobilidade elétrica. Argentina, México e Paraguai estão elaborando suas próprias estratégias.

 O Dual Bus é uma inovação desenvolvida pela empresa brasileira Eletra, que tem a vantagem de adicionar mais flexibilidade ao barramento elétrico, que pode operar em duas configurações: como híbrido ou trólebus (com eletricidade fornecida por fios aéreos) e híbrido ou puro elétrica (bateria). No híbrido, a eletricidade é gerada internamente por um motor diesel. CRÉDITO: Cortesia de Eletra

O Brasil, que poderia liderar esse processo mesmo como fabricante de veículos elétricos, está “atrasado” em eletrificação, disse Maluf, acrescentando que “a BYD vendeu 1045 ônibus na América Latina em 2019, apenas quatro por cento dos quais foram para o Brasil”.

“O Chile é um exemplo disso; já era um grande importador de ônibus convencionais da indústria brasileira ”, disse Oliveira, que lidera o Grupo de Veículos Pesados ​​da ABVE, além de liderar a Eletra. “Por causa da miopia, o Brasil perdeu o mercado latino-americano para a China.

“Precisamos de uma política pública de transporte elétrico, que não seja apenas uma questão ambiental, mas também econômica, porque o Brasil pode ser um líder, dada a nossa grande frota, nossa indústria nacional de peças de reposição e nossa tecnologia nacional”, disse ela.

Objetivos claros, financiamento disponível, tributação mais favorável que leve em conta benefícios ambientais, sociais e de saúde, incentivos à produção local de baterias e expansão da infraestrutura de recarga devem fazer parte dessa política, disse Oliveira.

Depender de baterias importadas provou ser uma armadilha. De repente, eles se tornaram escandalosamente caros devido à desvalorização de 35% da moeda brasileira, o real, este ano, apontou.

Para ela, a corrida por baterias de maior capacidade não é o único caminho a seguir. Outra opção é criar mais estações de carregamento e usar baterias menores. “Expandir a infraestrutura e usar baterias menores faz mais sentido, se você puder carregá-las com mais frequência”, disse Oliveira.

Adalberto Maluf, presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos e diretor de marketing e sustentabilidade da BYD Brasil, subsidiária da empresa chinesa que é o maior produtor mundial de ônibus elétricos e um dos maiores fabricantes de baterias e painéis solares, espera que a conscientização pública sobre meio ambiente e saúde após a pandemia do COVID-19 impulsionará a eletrificação do transporte, especialmente o transporte urbano. CRÉDITO: Cortesia de Adalberto Maluf

Maluf afirmou que alegar que não existem estações de carregamento suficientes para argumentar contra o aumento do número de veículos elétricos no Brasil não é mais justificado. Existem pelo menos duas rotas de veículos elétricos, uma na rodovia mais movimentada do país, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, e existem estações de carregamento espalhadas em outros lugares.

Além disso, as baterias podem ser carregadas rapidamente hoje, em meia hora e em apenas 15 minutos, 70% da capacidade pode ser alcançada, disse ele.

A falta de familiaridade com a tecnologia é o principal fator para conter a propagação da eletromobilidade, disse Maluf.

Há também resistência e pressão política de interesses arraigados no setor de transporte, como o setor automotivo tradicional, produtores de etanol, distribuidores de combustível e empresas de ônibus urbanos.

No entanto, a eletrificação está progredindo em diferentes áreas. Motocicletas, bicicletas e scooters elétricas estão crescendo rapidamente nas cidades que estão se adaptando a novas modalidades.

O transporte de carga também está gradualmente aderindo à nova tendência. A “reforma” de caminhões para substituir motores a diesel por motores elétricos é o novo negócio em expansão da Eletra.

No Brasil, veículos elétricos híbridos predominam.

O relatório da ONU sobre Meio Ambiente reconhece apenas 2045 veículos elétricos registrados no Brasil até outubro de 2019. Mas conta apenas com veículos elétricos plugáveis ​​e exclui híbridos que funcionam com um motor de combustão interna e um motor elétrico que utiliza energia armazenada em baterias, responsáveis ​​por mais de 90% da frota eletrificada.

As estatísticas da ABVE contam com um total de 30.092 veículos elétricos registrados de 2012 a junho de 2020. O número de veículos registrados subiu três vezes em 2019 em relação ao ano anterior, para 11.858. Os híbridos representaram 95,4% do total em 2018.

Diversidade de opções é o melhor caminho, dadas as necessidades e vantagens locais, argumentou Oliveira. Adicionar uma pequena bateria a um trólebus, por exemplo, oferece flexibilidade que reduz o custo operacional, disse ela.

Novos modelos de negócios também promovem soluções. Compartilhamento de carros, aluguel de veículos, geradores elétricos e associação de distribuidores de energia ao transporte urbano são algumas alternativas.

O modelo chileno que separa o proprietário dos ônibus dos operadores é interessante, pois atrai fundos de investimento para a compra de veículos em larga escala, a custos mais baixos e facilita soluções para conflitos, disse Maluf.

 

Traduzido por Ana Maria Vasconcellos, da Agência Envolverde

#Envolverde

 

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Futuro pós-pandemia da África precisa incluir jovens na agricultura

seg, 29/06/2020 - 18:34

Aslihan Arslan, economista sênior da Divisão de Pesquisa e Avaliação de Impacto do IFAD.

Zoumana Bamba, representante nacional do IITA na República Democrática do Congo.

29 de junho de 2020 (IPS) – Avisos, nos estágios iniciais da pandemia de Covid-19, de que a África poderia ser atingida por uma onda de até dez milhões de casos em seis meses, felizmente agora parecem infundados, embora ainda seja muito cedo para ser muito confiante.

Aslihan Arslan

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, em 22 de maio, que o vírus parece estar “tomando um caminho diferente” no continente, com uma taxa de mortalidade mais baixa e um aumento mais lento de casos do que em outras regiões. No entanto, três semanas depois, a entidade alertou que a pandemia estava se acelerando na África e observou que foram necessários 98 dias para atingir cem mil casos e apenas 19 dias para passar para 200 mil casos.

Em 23 de junho, a África havia registrado mais de 232 mil casos confirmados e 5.117 mortes, ainda muito menos em comparação com a Europa e as Américas. Os especialistas ainda estão analisando como a África evitou o pior, com a pobreza generalizada, os sistemas de saúde pública frágeis e a infraestrutura fraca em muitos países. Ações preventivas imediatas por parte dos governos e populações predominantemente jovens são citados como fatores importantes.

Embora devamos evitar as armadilhas da complacência e das estatísticas às vezes duvidosas, causadas em parte pela falta de testes, o perigo emergente agora é que as consequências de vida ou morte da queda econômica decorrente da pandemia serão muito mais graves que o próprio vírus. O continente africano está prestes a afundar em sua primeira recessão em 25 anos.

Analistas do Banco Mundial projetam que a África Subsaariana e a Índia sejam as duas regiões mais atingidas globalmente em termos econômicos. As últimas projeções estimam que 26 a 39 milhões de pessoas, muitas delas agricultores de subsistência, serão levadas à extrema pobreza na África Subsaariana este ano.

O presidente Paul Kagame, de Ruanda, que reagiu rapidamente para impor o bloqueio de seu país, alertou que, sem uma intervenção coordenada, algumas economias africanas podem levar “uma geração ou mais” para se recuperar.

Zoumana Bamba

As cadeias de valor agrícola foram seriamente afetadas pelos bloqueios, e não apenas as culturas alimentares. A indústria de flores do Quênia, por exemplo, foi atingida pelo fechamento de mercados nos países desenvolvidos. Mais de 70 mil agricultores foram demitidos e é relatado que 50 toneladas de flores tiveram que ser descartadas a cada dia.

No curto prazo, tudo isso equivale à dupla ameaça, causada diretamente ou exacerbada pela pandemia de Covid-19, de redução de renda e grave escassez de alimentos, dado que as famílias compram cerca de 50% de seus alimentos, mesmo na zona rural africana. Além disso, enxames devastadores de gafanhotos do deserto na África Oriental – o pior surto no Quênia em 70 anos –, combinados com um ano de seca e inundações, colocaram milhões de pessoas naquela região em risco de fome e penúria.

O mais imediato dos perigos para a segurança alimentar da África é agravado pelas tendências de longo prazo das taxas de crescimento populacional e urbano mais rápidas do mundo. A população urbana da África está projetada para quase triplicar entre 2018 e 2050.

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), da Organização das Nações Unidas, está trabalhando com governos e sociedade civil para fornecer aos jovens as habilidades e oportunidades necessárias, e criar empregos no sistema agroalimentar, a fim de salvaguardar a segurança alimentar, aliviar a pobreza e contribuir para a estabilidade social e política. Os desafios são enormes e diversos.

O Fida está, cada vez mais, concentrando seus recursos nos jovens como prioridade, uma vez que a transformação rural bem-sucedida depende de sua inclusão no processo. É uma parceria com o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), entidade sem fins lucrativos, um dos principais financiadores de um projeto de três anos na África Subsaariana, que oferece 80 bolsas de estudo para jovens africanos que cursam mestrado ou doutorado com foco em pesquisa na promoção do envolvimento dos jovens na agricultura.

Conhecido como Care (Melhoria da Capacidade de Aplicação de Evidências de Pesquisa), o programa combina orientação com treinamento em metodologia, análise de dados e redação científica, com o objetivo de produzir evidências e recomendações de pesquisa para os formuladores de políticas. Vozes jovens e competentes estão sendo levadas à mesa, aumentando a representação dos jovens nos processos domésticos e políticos.

Os resumos de políticas produzidos até o momento ilustram como pesquisadores, incluindo inúmeras jovens profissionais, estão desafiando narrativas e estereótipos comuns. Sim, a migração para fora das áreas rurais é uma tendência aparentemente imparável, mas muitos jovens ainda estão envolvidos no setor agrícola e no sistema agroalimentar, o que exige investimentos consideráveis.

Destaca-se a seguir alguns exemplos de suas descobertas recentes.

■ Adewale Ogunmodede, da Universidade de Ibadan, na Nigéria, analisa as deficiências do Programa N-Power Agro, com o objetivo de melhorar os meios de subsistência rural e argumenta que a abordagem de cima para baixo está falhando em atrair jovens para a agricultura.

■ A pesquisa de Akinyi Sassi, na Tanzânia, desafia a visão estereotipada de que as mulheres usam menos a tecnologia da informação e comunicação (TIC) que os homens para acessar dados sobre o mercado agrícola. Ela aponta que o custo do uso do telefone e a confiabilidade das informações são fatores críticos.

■ Cynthia Mkong examina a questão de modelos, status social e experiência anterior para determinar por que alguns estudantes têm mais probabilidade de escolher a agricultura como seu curso em duas universidades nos Camarões. Ela diz que suas descobertas indicam que a agricultura aumentará de estatura, tanto como um campo de estudo quanto de ocupação.

■ Grace Chabi analisa por que o envolvimento dos jovens na agricultura continua a diminuir no Benin, apesar das iniciativas do governo. Entre suas recomendações de política, há um chamado para remover os preconceitos de gênero das práticas de propriedade de terras, crédito e emprego.

Com a população mais jovem e de crescimento mais rápido do mundo, as comunidades ainda predominantemente rurais da África continuarão a crescer, mesmo com o aumento da migração e da urbanização. É de suma importância investir em empregos rurais e apoiar milhões de famílias de agricultores de pequena escala, além de melhorar a conectividade (física e digital) nas áreas rurais para alicerçar os sistemas agroalimentares.

O Fida compartilha da visão do IITA de aprimorar a percepção e a mentalidade sobre os sistemas agroalimentares, para que os jovens vejam as oportunidades para empresas interessantes e lucrativas, à medida que os consumidores demandam mais diversidade de produtos alimentícios. O projeto Care, que preenche essas lacunas de conhecimento, já está começando a produzir pesquisas relevantes e completas que as comunidades africanas necessitam para construir segurança e resiliência alimentar contra choques futuros e alcançar a transformação rural, inclusive da juventude rural.

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Perdas pós-colheita na Tanzânia tornam-se perdas da agricultura juvenil

sex, 19/06/2020 - 18:14

DAR ES SALAAM, Tanzânia, 19 de junho de 2020 (IPS) – Ao despedir-se de um grupo de amigas, Esther Ishabakaki pergunta se alguma delas conhece um bom alfaiate que possa estar interessado em ingressar em seu novo negócio de roupas. É um empreendimento que ela iniciou há três meses, depois de deixar seu negócio agrícola.

Instalando uma estufa na cidade comercial Dar es Salaam, na Tanzânia, Ishabakaki, 35 anos, resolveu cultivar tomates. Mas uma série de desafios destruiu sua paixão e seus sonhos por um negócio de horticultura. “Eu tinha investido muito: dinheiro, tempo e até emoção. Mas quando você cai a cada obstáculo, chega a um ponto em que você simplesmente desiste. Concluí que seria melhor sair e testar um negócio diferente”, contou Ishabakaki à IPS.

A falta de experiência no cultivo em estufa foi um desafio quando Ishabakaki começou a cultivar tomates. Mas, enquanto suas habilidades melhoraram com o passar do tempo, foram as perdas pós-colheita que ela diz que não conseguiu controlar. Depois de colher produtos perfeitos, Ishabakaki, como muitos milhões de agricultores, enfrentou o desafio de preservar a qualidade e a quantidade de suas colheitas antes de chegar ao consumidor.

O aumento da demanda doméstica por alimentos e o aumento da taxa de desemprego são apenas alguns dos fatores que pressionam os governos africanos a procurar fortalecer o setor agrícola, e a Tanzânia não é exceção. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), por exemplo, afirma que o desemprego juvenil na Tanzânia é de 11% atualmente.

Infelizmente, a experiência de Ishabakaki com perdas pós-colheita não é única. Especialistas dizem que isso ressoa com muitos jovens e agricultores em geral no país, e pode estar levando-os a deixar o mercado. “O problema das perdas pós-colheita no setor agrícola é enorme”, destacou à IPS Adella Ng’atigwa, pesquisadora e economista agrícola do Ministério da Agricultura. Como pesquisadora do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), ela está atualmente trabalhando em um resumo que documenta as perdas pós-colheita e as razões para isso, além de esboçar os obstáculos que impedem os jovens de participar do setor agrícola da Tanzânia.

Ng’atigwa observa que algumas culturas são mais afetadas que outras – os repolhos costumam sofrer perdas de até 60%. “Os agricultores de Njombe, no planalto sul da Tanzânia, disseram-me que a baixa demanda é uma das principais causas de perda de produção na área. Mas também notei que o manejo inadequado das culturas e a falta de práticas agronômicas também contribuem para esse problema”, enfatizou.

Comerciantes vendem vegetais no mercado de Darajani, em Zanzibar. Segundo uma pesquisa do IITA, certos produtos, como repolho e tomate, são mais propensos a perdas pós-colheita do que outros. Foto: Alexander Makotta / IPS

Ng’atigwa aponta que condições precárias de transporte e armazenamento, além de embalagens de baixa qualidade também são fatores que influenciam essa situação, mas espera que a cooperação entre o governo e o setor privado ajude a resolvê-la. “A parceria público-privada poderia investir no desenvolvimento de infraestrutura, como construção de locais para embalagem e investimento em agroprocessamento.

“Essa abordagem pode ser usada para aumentar a frequência do treinamento e conscientização dos jovens e a criação de inovações em gerenciamento pós-colheita por meio de agentes de extensão”, argumentou a pesquisadora. Além disso, Ng’atigwa diz que o governo pode reduzir os impostos sobre as iniciativas de gerenciamento pós-colheita, tornando seus serviços mais acessíveis aos agricultores.

O IITA, uma organização sem fins lucrativos que trabalha com parceiros na África para melhorar a qualidade e a produtividade das culturas, está trabalhando para preencher algumas lacunas com relação aos desafios ainda enfrentados pelo setor agrícola. Por meio de seu programa para jovens, o IITA ajuda-os a transformar seus desafios em oportunidades para criar empregos para si e para os outros.

O programa funciona da fazenda ao mercado, começando pela semeadura, e chegando até a comercialização e todo o caminho para processar o produto para consumo. “Temos um programa de incubação, no qual treinamos pessoas para adquirir habilidades para o agronegócio, para o desenvolvimento empresarial, para gerenciar diferentes técnicas e, em seguida, as preparamos para tornarem-se empresários na agricultura”, explicou Victor Manyong, diretor do IITA para a região leste da África.

Manyong acredita que existem muitas oportunidades na agricultura para os jovens ganharem dinheiro, como, por exemplo, aumentando a produção da fazenda. Ele confirma que os jovens desejam aproveitar essas oportunidades, mas geralmente precisam de ajuda ao longo do caminho. “Eles precisam de habilidades técnicas, de empreendedorismo, de negócios. Interagimos com jovens que desejam empreender, mas eles nem sabem como desenvolver um plano de negócios. Existem jovens com boas ideias, mas que não podem desenvolvê-las porque não têm capital”, ressaltou.

Outros especialistas em agricultura concordam com Manyong em que existem muitas oportunidades no setor agrícola para jovens, mas alertam que deve haver um investimento holístico na juventude para ajudá-los a aproveitar essas oportunidades.

Revokatus Kimario, diretor executivo da Cooperativa de Empreendedores de Pós-Graduação da Universidade de Sokoine, da Tanzânia – que prepara, capacita e apoia empreendedores agrícolas inovadores e com conhecimento intensivo –, acredita que a melhor forma para começar é com a mentalidade dos jovens. “Temos que mudar o pensamento das pessoas desde tenra idade, para adotar a agricultura como um negócio, como qualquer outro negócio. Além disso, temos que usar a tecnologia nesse setor, não apenas para atrair os jovens, mas também para aumentar a eficiência na produção”, opinou à IPS.

Quanto às perdas pós-colheita, que continuam desencorajando jovens como Ishabakaki, Kimario argumenta que a solução poderia ser o mercado. Ele indica que os jovens agricultores precisam ser treinados para responder ao mercado com o tipo e volume de culturas que demanda. “O mercado precisa dizer o que produzir, em que quantidade, qualidade e tempo. Se você está produzindo tomates, por exemplo, saberá se o seu mercado deseja produtos frescos ou processados”, explicou.

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Jovens bolsistas africanos colhem ideias sobre negócios da agricultura

qui, 30/04/2020 - 13:31

Enquanto obtêm seus mestrados ou doutorados, 80 jovens acadêmicos africanos estão lidando com os negócios da agricultura por meio da inovação e do frescor que acompanham a juventude.

BULAWAYO, Zimbábue, 30 de abril de 2020 (IPS) – Em Ruanda, Benimana Uwera Gilberthe, uma especialista produtora de pimenta, experimenta os desafios de ingressar no agronegócio. Na Nigéria, Ayoola Adewale tenta entender se a criação de ovos de aves de capoeira será uma oportunidade de negócio lucrativa e viável para os jovens da nação mais populosa do continente. Também na Nigéria, Esther Alleluyanatha estuda o vínculo entre jovens que deixam suas aldeias, seguindo para cidades maiores, e as remessas enviadas para casa e suas implicações nos meios de subsistência rural e na produtividade da agricultura.

Entendendo isso, esses três jovens pesquisadores estão de fato respondendo perguntas maiores sobre a agricultura no continente:

    • O que será necessário para atrair mais jovens africanos para a agricultura, um setor que o Banco Mundial afirma que pode valer US$ 1 trilhão nos próximos dez anos?
    • Que políticas e investimentos de apoio são necessários para desenvolver esse setor?

Adewale, Alleluyanatha e Gilberthe são apenas três dos 80 jovens estudiosos africanos que estão lidando com os negócios da agricultura por meio da inovação e do frescor que acompanham a juventude, enquanto obtêm seus mestrados ou doutorados. Eles são premiados com o reforço do programa Melhoria da Capacidade de Aplicação de Evidências de Pesquisa (Care), um projeto de três anos lançado em 2018 pelo Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA), com financiamento do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida).

O projeto tem o objetivo de “construir uma compreensão da redução da pobreza, do impacto no emprego e fatores que influenciam o envolvimento dos jovens no agronegócio e nas economias rurais agrícolas e não agrícolas”, de acordo com o diretor-geral do IITA, Nteranya Sanginga. Os beneficiários recebem treinamento em metodologia de pesquisa, gerenciamento de dados, redação científica e produção de evidências de pesquisa para elaboração de políticas. Eles são orientados por cientistas e especialistas do IITA em um tópico de pesquisa de sua escolha e produzem artigos científicos e resumos de políticas sobre seu trabalho”, explicou.

Sanginga defende há muito a ideia de que o desenvolvimento da agricultura é fundamental para enfrentar os desafios urgentes da insegurança alimentar, da pobreza e do desemprego de jovens no continente.

    De fato, a agricultura faz sentido para os negócios porque possui altos retornos por dólar investido, de acordo com o estudo do Fida
    The Economics Advantage: Assessing the value of climate change actions in agriculture, que afirma que, para cada dólar investido em um de seus programas de pequenos produtores, os agricultores poderiam ganhar entre US$ 1,40 e US$ 2,60 em um período de 20 anos, aplicando práticas de adaptação às mudanças climáticas.

“A juventude traz energia e inovação, mas essas qualidades podem ser melhor canalizadas pelos próprios jovens africanos, por meio da realização de pesquisas baseadas em resultados no agronegócio e no desenvolvimento rural direcionado a eles. O envolvimento deles é fundamental”, destacou Sanginga.

Os jovens agricultores e irmãos Prosper e Prince Chikwara estão usando técnicas de agricultura de precisão em sua fazenda de horticultura, nos arredores de Bulawayo, Zimbábue. Foto: Busani Bafana/IPS

A agricultura comercial é a resposta para o desemprego juvenil?

Adewale, doutoranda na Universidade de Ibadan, trabalha como assistente técnica na Unidade de Coordenação de Operações Federais para Emprego e Operação Social de Jovens (Focu-Yesso), em Abuja. A Yesso tem a tarefa de fornecer acesso a oportunidades de trabalho para jovens pobres e vulneráveis da Nigéria. Esse país, que tem uma população de mais de 180 milhões de habitantes, teve 19,58% de desemprego jovem em 2019, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“A agricultura comercial possui um imenso potencial como saída da pobreza”, apontou Adewale à IPS. A Nigéria também é um importador de alimentos, gastando uma média de US$ 22 bilhões anualmente. O país importa arroz, peixe, trigo, produtos avícolas, leite e pasta de tomate, responsáveis por mais de US$ 1,4 bilhão na conta de importação de alimentos.

“O envolvimento dos jovens na agricultura comercial está crescendo e parece ser a saída para a atual taxa de desemprego. No entanto, é necessário o apoio do governo e do setor privado para que os jovens compitam favoravelmente, prosperem de maneira sustentável e aumentem a geração seguinte de empreendedores da agricultura comercial”, ressaltou Adewale.

Para o seu tópico de pesquisa, ela quer entender se a produção de ovos de aves de capoeira é um empreendimento rentável e tecnicamente eficiente para os jovens agricultores, avaliando especificamente o impacto do Projeto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (CADP). O CADP é um programa assistido pelo Banco Mundial, destinado a fortalecer os sistemas de produção agrícola e facilitar o acesso ao mercado para cadeias de valor direcionadas, entre pequenos e médios agricultores comerciais nos estados de Cross River, Enugu, Lagos, Kaduna e Kano.

“A agricultura comercial, em todas as cadeias de valor, tem potencial para aumentar a produtividade, a lucratividade e o crescimento econômico da Nigéria, e mesmo da África”, afirmou Adewale. “O estudo fornecerá informações sobre como os programas de agricultura comercial são sustentáveis, além de fornecer orientações sobre como esta pode ser aproveitada pela agricultura africana”.

Dinheiro na agricultura

Alleluyanatha, também da Nigéria, está preocupada com a alta taxa de desemprego entre os jovens, principalmente nas áreas urbanas. “É necessário, portanto, desencorajar o êxodo de jovens das áreas rurais para as urbanas e incentivá-los a entrar na agricultura, que é conhecida por ser a principal fonte de subsistência nas áreas rurais”, opinou. Ela está pesquisando sobre migração dos jovens, suas remessas e as implicações na subsistência rural e na produtividade agrícola da África, comparando famílias com jovens migrantes e aquelas sem.

Em Ruanda, Gilberthe e seus colegas de graduação começaram a cultivar pimenta para exportação depois de firmar um contrato com o Conselho Nacional de Desenvolvimento das Exportações Agrícolas do país. “O empreendimento foi bem-sucedido e demos aos jovens a ideia de como o agronegócio pode ser um trabalho decente se você o fizer profissionalmente e investir nele”, explicou à IPS. “Eu costumava ter pelo menos US$ 210 cada vez que vendíamos nosso produto”.

Jovens com idade entre 14 e 35 anos representam 39% da população de Ruanda, mas, segundo Gilberthe, muitos não participam do agronegócio devido a habilidades limitadas sobre o setor, falta de capital inicial, acesso limitado a terras e a informações sobre oportunidades do agronegócio.

Na verdade, é uma questão em todo o continente. A Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra) observa que a África precisa de intervenções direcionadas focadas em tornar a agricultura uma opção de emprego viável para os jovens africanos que são impedidos de se unir a ela por falta de terra, crédito, insumos agrícolas de qualidade, máquinas e habilidades.

Gilberthe está pesquisando como a participação em esquemas de financiamento afeta a renda dos jovens empresários. Ele acredita que as políticas para o envolvimento dos jovens no agronegócio também devem incluir treinamentos sobre como administrar esses negócios. Além disso, considera que essas políticas também devem prever mais programas de financiamento ao agronegócio.

“Em Ruanda, os jovens envolvidos no agronegócio têm o problema de não possuírem terras e a maioria deles usa a terra dos pais, mas sua renda é limitada e eles precisam de acesso a crédito”, apontou Gilberthe.

    • Ruanda, um dos menores países da África por quilômetro quadrado, tem um território de pouco menos de 27 mil quilômetros quadrados. Cerca de 69% da terra é usada para agricultura, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

“Penso diferente sobre a agricultura agora”, contou Gilberthe. “Como jovem pesquisador, descobri as oportunidades e barreiras para os jovens envolvidos no agronegócio e essa pesquisa está me dando uma chance de contribuir para a formulação de políticas sobre o envolvimento dos jovens no agronegócio. Com minhas descobertas, poderei provar que os jovens estão errados ao considerar a agricultura como um trabalho para idosos e para os que vivem no meio rural, ou outras pessoas que ainda pensam que a agricultura não pode melhorar sua renda”.

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Pandemia estabelece os déficits da África, mas os jovens crescerão no futuro

qua, 29/04/2020 - 05:03

Nteranya Sanginga é diretor-geral do Instituto Internacional de Agricultura Tropical.

IBADAN, Nigéria, 29 de abril de 2020 (IPS) – As fragilidades da África foram brutalmente expostas pela pandemia de coronavírus. O vírus atingiu quase todos os países desse continente de 1,3 bilhão de pessoas e a Organização Mundial de Saúde adverte que poderá haver dez milhões de casos em seis meses. Dez países não possuem ventiladores pulmonares.

Os governos estão combatendo a pandemia com sistemas de saúde fracos, nos quais os bloqueios são especialmente punitivos pela ausência de um estado de bem-estar social. Muitas pessoas subsistem com ganhos diários, vivendo da economia informal, em condições de vida densamente povoadas que zombam do “distanciamento social”. O colapso dos preços das commodities nos mercados internacionais e as saídas de capital dos mercados emergentes estão atingindo as economias.

Entretanto, os pontos fortes da África também estão em exibição. Lições valiosas foram aprendidas com epidemias passadas, como o surto de ebola em 2014, e os governos estão respondendo com medidas estritas. Longe da imagem estereotipada de terceiro mundo, que pede ajuda aos países mais ricos, as pessoas estão demonstrando resiliência, generosidade e espírito cívico sem limites.

A população jovem da África também dá esperança. Com uma idade mediana inferior a 20 anos, o continente pode sofrer relativamente menos mortes do que outras nações com populações mais envelhecidas. A pandemia está enfatizando o que muitos advertem há anos: que as economias da África precisam depender menos da exportação de matérias-primas e fazer mais para lidar com as questões urgentes de insegurança alimentar, desemprego jovem e pobreza.

O desenvolvimento da agricultura é fundamental para enfrentar esses desafios. A juventude traz energia e inovação à situação, mas essas qualidades podem ser melhor canalizadas pelos próprios jovens africanos, com a realização de pesquisas baseadas em resultados no agronegócio e no desenvolvimento rural. O envolvimento dos jovens é fundamental.

Como uma organização sem fins lucrativos de pesquisa para o desenvolvimento, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) trabalha com vários parceiros da África subsaariana para facilitar soluções agrícolas para a fome, a pobreza e a degradação dos recursos naturais. O IITA melhora os meios de subsistência, aumenta a segurança alimentar e nutricional e incrementa o emprego como um dos 15 centros de pesquisa no Conselho de Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), uma parceria global para um futuro alimentar seguro.

Durante toda a pandemia, o IITA está ajudando os sistemas alimentares subsaarianos, monitorando os preços dos alimentos e fortalecendo o acesso às tecnologias e mercados agrícolas.

Antes do surgimento do coronavírus, o IITA havia lançado um projeto de três anos conhecido como Melhoria da Capacidade de Aplicação de Evidências de Pesquisa (Care) para construir uma compreensão da redução da pobreza, impacto no emprego e fatores que influenciam o envolvimento dos jovens no agronegócio e nas propriedades rurais e não agrícolas. O projeto foi financiado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e forneceu 80 bolsas de pesquisa para jovens acadêmicos africanos, com ênfase em jovens profissionais e estudantes do sexo feminino, com o objetivo de conseguir mestrado ou doutorado.

Os beneficiários recebem treinamento sobre metodologia de pesquisa, gerenciamento de dados, redação científica e produção de evidências de pesquisa para elaboração de políticas. São orientados por cientistas e especialistas do IITA sobre um tópico de pesquisa de sua escolha e produzem artigos científicos e resumos de políticas referentes ao seu trabalho.

Como a África vai alimentar uma população que dobrará em 2050? Como diz o CGIAR, estamos em uma encruzilhada no sistema alimentar mundial e não podemos continuar nossa trajetória atual de consumir muito pouco, muito, ou os tipos errados de alimentos, a um custo insustentável para os recursos naturais, o ambiente e a saúde humana.

Na África subsaariana, a agricultura contribui para quase um quarto do PIB e os pequenos agricultores representam mais de 60% da população. Os jovens estão encontrando carreiras no agronegócio e o IITA busca fortalecer sua capacidade de formular planos de ação futuros para as comunidades locais e até para governos nacionais, o setor empresarial e a comunidade internacional.

Dolapo Adeyanju, beneficiária do IITA, ilustra como a África é capaz de gerar mais engajamento dos jovens na pesquisa, seja sobre políticas, startups, agronegócio, iniciativas de desenvolvimento ou liderança. Nacional da Nigéria, ela é estudante de mestrado na Universidade de Nairóbi, trabalhando em colaboração com a Universidade de Pretória, com foco no impacto de programas agrícolas no empreendedorismo juvenil na Nigéria.

“Os formuladores de políticas não podem operar no vácuo”, afirma Adeyanju, enfatizando a necessidade de políticas apropriadas serem baseadas em evidências relevantes derivadas de resultados e recomendações de pesquisas.

O desenvolvimento de políticas eficazes permitirá que os jovens africanos que já estão aproveitando a pesquisa agrícola façam suas vidas com a agricultura. O projeto Care ajudará a compensar o déficit de pesquisas específicas para jovens, e o apoio do Fida garante que os jovens africanos tenham voz na maneira como podem contribuir para esse esforço.

A África não estava bem prepa

No entanto, à medida que a pandemia avança, a África deve ficar de olho nas necessidades de desenvolvimento no longo prazo. O IITA desempenhará seu papel de equipar a próxima geração para promover a agricultura e alimentar rada para uma crise da magnitude do Covid-19. As universidades foram fechadas, as fronteiras fechadas e o comércio despencou. A pandemia expôs décadas de subinvestimento em setores vitais, além de demonstrar a importância da colaboração científica e educacional. O foco imediato estará naturalmente na resposta direta à doença em termos de pesquisa médica, equipamentos e assistência médica. o povo da África.

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Hora de elevar a ambição pela ação climática

ter, 14/04/2020 - 16:38

Por IPS – 

Amsterdã, Holanda, (IPS) – Nos últimos dias, vimos a decisão compreensível de adiar a conferência sobre mudança climática da ONU – COP26 – que ocorrerá em novembro. Enquanto o mundo sofre com os impactos generalizados da crise do coronavírus, é a decisão certa.

O COVID-19 é uma questão global premente que está começando a prejudicar os sistemas de saúde, reduzir a produção econômica e minar os esforços para combater a pobreza e a desigualdade. São desafios que, nos próximos meses, precisarão de esforços conjuntos e colaborativos entre e dentro das nações para serem superados.

Mas o que isso significa para um dos desafios mais duradouros e universais que enfrentamos – o das mudanças climáticas? O atraso da COP26 até 2021 não significa que os esforços dos países para cumprir seus compromissos com as mudanças climáticas tenham que ser suspensos. Longe disso.

Cumprir o Acordo de Paris promete

Assim como o coronavírus, a mudança climática é uma causa significativa de resultados reduzidos para a saúde e a riqueza em todo o mundo. Sabemos que as conseqüências das mudanças climáticas continuam aumentando, impactando desproporcionalmente as comunidades que menos contribuíram para o problema das emissões de carbono, com efeitos devastadores no meio ambiente e na biodiversidade global.

Portanto, embora a reunião global da COP26 de formadores de opinião e especialistas em mudanças climáticas não ocorra neste outono na Escócia, não pode haver demora ou recuar a ambição quando se trata de ação climática. De fato, para que os países cumpram as promessas feitas no Acordo de Paris, precisamos de níveis de ambição para crescer.

Uma transição verde na recuperação do COVID-19?

Mesmo que os países se esforcem para conter e mitigar a crise do COVID-19, não podemos perder isso de vista. É por isso que a ação climática precisa ser mantida na corrente principal das discussões políticas – e até considerar como a fase de recuperação da pandemia, quando ocorre, pode ser implementada de uma maneira que apoie uma transição verde.

A Comissão Européia já foi franca, com o vice-presidente executivo Frans Timmermans afirmando em 1º de abril que, quando se trata de lidar com as mudanças climáticas, “não desaceleraremos nosso trabalho, nacional ou internacionalmente”. Essa posição é bem-vinda – e precisamos das eco das outras grandes economias do mundo.

Entrada de negócios para a solução

Os esforços dos governos para combater as mudanças climáticas precisam incluir um maior envolvimento do setor privado. As empresas têm um grande papel ajudando a reduzir as emissões de carbono e contribuindo para soluções. É por isso que as práticas de negócios sustentáveis ​​precisam estar na frente e no centro dos esforços corporativos para realinhar a maneira como operam, agora e depois da pandemia.

De fato, contribuir para a mitigação das mudanças climáticas faz sentido para as empresas, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. O chamado investimento sustentável está em ascensão há algum tempo – e a atual crise está demonstrando por que os fatores ESG (ambientais, sociais e de governança) são cada vez mais importantes para os principais investidores.

Resiliência comercial, planejamento de continuidade, envolvimento da comunidade e direitos dos funcionários – todos esses riscos a serem gerenciados por ESG. Empresas responsáveis, que são transparentes em relação a suas práticas e levam a sério as obrigações para com as pessoas e o planeta, se beneficiam.

Compreender os impactos pode gerar melhorias

A GRI é a organização independente e com várias partes interessadas que fornece a estrutura de relatório de sustentabilidade mais usada, os Padrões da GRI. E durante esse período de testes, continuamos ajudando as empresas a divulgar seus impactos e apoiando os governos a colaborar com o setor privado no cumprimento dos compromissos nacionais de mudança climática.

Isso inclui o envolvimento de negócios nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que articulam os esforços de cada país para reduzir as emissões e se adaptar às mudanças climáticas.

Os NDCs são fundamentais para a implementação do Acordo de Paris, com todos os NDCs novos ou atualizados que precisam ser apresentados este ano. Embora reconheçamos os enormes desafios que muitos governos enfrentam como resultado do coronavírus, não podemos deixar esse cronograma escapar.

Em um espaço de tempo muito curto, o impacto do COVID-19 enviou ondas de choque ao redor do mundo. Quando se trata de mudanças climáticas, os riscos são de longo prazo, mais difusos e mais difíceis de quantificar.

No entanto, eles permanecem reais e mais voláteis do que nunca. As gerações futuras relembrarão 2020 como um ano em que a comunidade global se intensificou ou ficou aquém. Vamos garantir que este ano de crise traga o melhor de nós e não o decepcionemos.

 

Peter

Paul van de Wijs is Chief External Affairs Officer, Global Reporting Initiative

 

 

 

#Envolverde

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